Mil duzentos e vinte e quatro. Esse é o número de mineiros de 30 a 39 anos que morreram por complicações da Covid-19, de 1° de janeiro até 15 de junho. Em 2020, o total de óbitos desta faixa etária foi de 279. A comparação mostra um crescimento de 340% nas ocorrências, ou quatro vezes mais. 

Além do aumento das tragédias familiares, o perfil dos internados nas terapias intensivas mudou, tendo dentre a maioria dos casos graves justamente esse público jovem. Vacinação dos idosos, avanço da pandemia e novas cepas são os principais motivos para a mudança no perfil. 

“Temos observado que a permanência nos leitos de UTI continua alta porque os que estão adoecendo são mais jovens. Aquelas mais velhas já foram vacinadas, a média de idade caiu”, afirmou o secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto.

Segundo o chefe da pasta, essas pessoas tendem a ser mais saudáveis e têm a doença por mais tempo, pois a cepa em maior circulação na capital é a P1, de Manaus. “Isso faz com que fiquem mais tempo internadas”, completou.

Em BH, 73% das vagas em Unidades de Terapia Intensiva exclusivas estão em utilização. Conforme o secretário, após o período de internação, muita gente ainda precisa de hospitalização, necessitando de transferência para as UTIs convencionais. 

“Isso explica também a alta taxa de ocupação de UTI não-Covid. A pessoa migra e isso ocupa um leito em uma porcentagem muito grande de casos”.
 
MAIS LETAL
O levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) ainda mostra que a enfermidade tem feito mais vítimas sem doenças crônicas, reduzindo a proporção de mortes de pessoas com comorbidades. Ano passado, 74% dos casos que evoluíram para óbito eram de pacientes com outras doenças, como diabetes.

Os dados da SES confirmam que o atual momento é de alerta máximo, pois o coronavírus mata mais, independentemente da idade ou condição de saúde. A letalidade está em 2,6%, ante 2,2% no fim de dezembro.

Nove vezes mais vítimas de 30 a 39
Em Montes Claros, o crescimento das mortes entre pessoas mais jovens também é uma realidade. Esse número saltou de 5, em 4 de janeiro, para 52 em 15 de junho, um aumento de mais de 900% entre as pessoas de 30 a 39 anos. 

Em relação ao percentual do total de óbitos, saltou de 2,37% para 6,1%. Enquanto isso, o grupo dos maiores de 60 anos vem registrando quedas: de 76,3% do total de mortes em janeiro para 67,8% em junho.

Os dados confirmam que, quase um ano e meio depois de decretada a pandemia do coronavírus, o perfil dos atingidos pela doença mudou.

“O tempo de permanência dos pacientes Covid mais estáveis, que não necessitaram de cuidados intensivos, gira em torno de 15 a 20 dias. A faixa etária é em torno de 50 anos. Este tem sido o perfil dos pacientes”, explica Samuel Lima, responsável pela regulação de leitos do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro.

Na Santa Casa de Montes Claros, cerca de 55% dos pacientes internados estão abaixo dos 60 anos, número que vem crescendo nos últimos meses, segundo a assessoria. (Colaborou Márcia Vieira)