Empresas e indústrias clientes da Cemig podem garantir até 25% de desconto na tarifa. Para isso, será necessário aderir a um dos planos lançados nesta terça-feira (8) pela nova marca da energética, a Cemig SIM – Soluções Inteligentes em Energia.

A subsidiária, especializada em gestão de energia fotovoltaica, receberá R$ 600 milhões em investimentos, metade vindo da Cemig. O restante virá da Mori Energia, parceira comercial na empreitada. Até 2020, 32 usinas solares serão construídas no Estado, a maioria delas no Norte de Minas.

Inicialmente, clientes com consumo entre 500 quilowatts-hora (KW/h) e 5.000 (KW/h) podem aderir a um dos três planos oferecidos. Na prática, significa que organizações com contas de luz entre R$ 500 e R$ 40 mil serão beneficiadas. A partir do ano que vem, a Cemig SIM pretende levar o serviço aos consumidores residenciais.

PLANOS 
No primeiro plano oferecido, com duração de 12 meses, a economia será de 13%. No segundo, com 36 meses de fidelidade, o desconto será de 15%. No mais longo, com 60 meses de duração, a redução chegará a 18% na tarifa. Pacotes promocionais podem garantir até 25% de queda.
 
COMO FUNCIONA
A ideia é construir as usinas solares e comercializar a energia delas para os clientes, por meio da Geração Distribuída, modelo em que o consumidor gera a própria eletricidade próximo à residência ou em outros locais, por meio de consórcios de compartilhamento.

Nesse caso, a SIM permite que grupos de consumidores se unam para produzir luz em fazendas solares, abatendo na conta parte do montante gerado. O restante, será comercializado pela própria Cemig no mercado cativo.

Conforme explica o presidente da companhia, Cledorvino Belini, o desconto recai exclusivamente sobre a tarifa. A taxa de disponibilidade, a taxa de iluminação pública e o valor mínimo pago por cliente, que depende da ligação feita, não recebem o abatimento.

Sobre o fato de a energética criar uma companhia enquanto atravessa um processo de privatização, Belini é enfático. “A Cemig SIM já nasce privatizada. Todas as usinas receberão investimentos de parceiros comerciais”, pondera. A Cemig tem 49% da empresa, enquanto a Mori Energia tem 51%.
 
INVESTIMENTO
Das 32 usinas que serão construídas, uma já foi inaugurada em Janaúba, no Norte de Minas, e outras duas ficarão prontas até o fim do mês. Uma delas em Manga, também no Norte, e a outra em Corinto, região Central do Estado.

Outros dez empreendimentos iniciarão a produção até o fim do ano. No mesmo período, o investimento chegará a R$ 400 milhões, metade realizado pela Cemig. Em 2020, mais R$ 200 milhões serão aportados no negócio para construção de outros 22 ativos.
 

Incentivos derrubam taxa
Possíveis mudanças na Resolução Normativa 482/2012, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não irão impactar nos descontos oferecidos pela Cemig SIM no curto prazo. A afirmação é do presidente da empresa, Danilo Gusmão. 

Hoje, clientes que geram a própria energia usam a rede das distribuidoras sem pagar taxas extras. A pedido das companhias, a agência reguladora analisa criar um encargo para o uso da estrutura. 
 
INCENTIVOS 
Na avaliação do secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Adriano Magalhães, a popularização das placas fotovoltaicas e os incentivos concedidos pelo governo de Minas a quem deseja implantá-las compensam a taxa que pode ser criada, não impactando no custo final.
 
CONCORRÊNCIA
Na prática, a geração distribuída concorre diretamente com as grandes companhias de energia. O motivo é simples: os clientes que utilizam o modelo de geração pagam menos às distribuidoras. 

Em contrapartida, como eles não usam as geradoras, a produção própria tende a desafogar a rede em horários de pico. Como consequência, o investimento das companhias em manutenção é menor.

“E a geração distribuída é o futuro. O consumidor está procurando eficiência e redução de custos. Se nós não oferecermos isso a ele, seremos engolidos pela concorrência”, analisa o presidente da Cemig, Cledorvino Belini.

O diretor de Novos Negócios da Mori Energia, Ivo O. Pitanguy, afirma que a entrada da Cemig no segmento marca a modernização do setor energético. 

“É um grande passo para a disseminação da energia solar para empresas que não têm expertise na implementação e operação para investir com capital próprio em projetos de geração distribuída solar. Estamos democratizando a energia renovável em centros de consumo onde não há espaço para construção em escala e, ao mesmo tempo, estamos fomentando o desenvolvimento econômico nas comunidades locais onde implementamos nossos projetos”, diz o representante da parceira comercial da concessionária na Cemig SIM. 

SAIBA MAIS
A declaração de que a privatização da Cemig poderia render mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos, feita pelo secretário de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Otto Levy, na segunda-feira, na Assembleia Legislativa de Minas, causou desconforto ao presidente da concessionária, Cledorvino Belini.

“Ele não me passou esse objetivo. O que estamos fazendo é desenvolver a Cemig para que crie mais valor. Nossa parte é buscar eficiência para a Cemig, para que seja valorizada”, disse. Minas lidera o ranking de geração distribuída – em que o consumidor gera sua energia. O Norte do Estado produz 23% da energia fotovoltaica do Brasil.