Três macrorregiões de Minas Gerais atingiram a lotação máxima dos leitos de UTIs pelo SUS e não possuem mais vagas para atender os pacientes graves com a Covid-19 ou outras doenças. O cenário crítico é vivenciado no Vale do Aço, Triângulo Norte e Leste. Nesses locais, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a taxa de ocupação dos leitos chegou a 100%. 
 
Mesmo assim, o Estado não fala em colapso, uma vez que os internados com melhores condições clínicas podem ser transferidos para unidades de saúde de outras regiões, liberando vagas para os casos mais urgentes.
 
Para que essa transferência funcione de forma rápida e eficiente, o governo começa a rastrear, em tempo real, os leitos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é monitorar e gerir internações hospitalares de Minas neste momento de pandemia. 
 
Para isso, foi criado o Escritório de Gestão de Leitos, que fará contato direto e diário com hospitais mineiros para conhecer a realidade desses locais, principalmente onde a taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva (UTI) esteja acima de 90% e onde haja pacientes há mais de 20 dias internados.
 
“A atuação do escritório pode trazer mudanças na avaliação do quantitativo da ocupação de leitos no Estado, aumentando ainda mais a transparência de dados”, afirma o secretário de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral. 
 
OCUPAÇÃO
Em todo o Estado, conforme levantamento divulgado nesta quinta-feira (25), a taxa de ocupação dos leitos de UTIs está em 91,93%. É o índice mais alto registrado desde o início da pandemia do novo coronavírus, há três meses. O Norte de Minas é uma das poucas regiões com mais folgas em leitos. 
 
Atualmente, Minas possui 2.964 unidades para atender pacientes graves na rede pública. Deste total, 951 foram criados a partir de março. Além disso, o Estado garante que pretende dobrar a capacidade dos leitos, criando mais 2.936.
 
Do total de internados nas UTIs, menos de 20% estão infectados com o coronavírus, sendo que os demais pacientes são acometidos por outras enfermidades. “No momento, são 506 pacientes internados em leitos de UTI, em decorrência da Covid-19, ou por suspeita da doença e a taxa de ocupação está em 17,23%”, detalhou a SES.
 
O balanço do Estado mostra, ainda, que a taxa de ocupação dos leitos clínicos está em 73,75%. São 12.928 vagas no SUS para enfermaria, sendo que 1.384 pessoas internadas foram diagnosticadas com a Covid-19, o que representa 11,07% da lotação.
 
Comércio volta a ser fechado
Como forma de conter o avanço da pandemia em Minas, o Comitê Extraordinário Covid-19 decidiu, ontem, pelo fechamento do comércio em diversos setores no Estado.
 
A medida, válida para municípios que aderiram ao “Minas Consciente”, programa do governo para a flexibilização controlada, acontece após a suspensão da onda amarela em todo território mineiro e o retrocesso da macrorregião de saúde Centro-Sul à onda verde. 
 
De acordo com o Estado, a deliberação foi publicada nesta quinta-feira e passa a ter validade neste sábado (27). Com a alteração, em 11 dos 14 grupos de cidades do programa poderão funcionar apenas serviços essenciais, como padarias, farmácias e supermercados.
 
“A medida de regressão das ondas busca, justamente, preservar a saúde da população. Por mais que estejamos empenhados em preservar a economia, é também uma mensagem de preservação de vidas”, declarou o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio. As mudanças de ondas são avaliadas semanalmente pelo Comitê Extraordinário Covid-19. 
*Com Agência Minas