A tão aguardada vacina contra a Covid-19, que começou a ser aplicada na segunda-feira em Minas, traz esperança, mas também vai exigir da população muita paciência. A aplicação das 577.480 doses da Coronavac – desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan – será emergencial e restrita.

Por enquanto, não há como proteger toda a população nem estimar quando o imunizante estará ao alcance de quem não integra os grupos prioritários. Sem a previsão, manter o distanciamento, usar máscara e abusar do álcool em gel são alertas cada vez mais reforçados pelos médicos diante do avanço da doença.

Atualmente, Minas tem 651.956 casos e 13.507 mortes pelo coronavírus. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A pasta espera vacinar cerca de 280 mil pessoas até o fim desta semana, entre profissionais da área que atuam na linha de frente contra a doença, idosos com 60 anos ou mais que estão em asilos, pessoas com deficiência em casas de apoio e população indígena vivendo em aldeias.

Em Montes Claros, a vacinação começou ontem. Segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, a maior cidade do Norte de Minas recebeu 9 mil doses e o Estado ficou de repassar mais 400. “Nós precisaríamos de 21 mil doses para a primeira etapa do programa: os profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia, os idosos institucionalizados, além de indígenas, que não faz parte de nossa realidade em Montes Claros”, pontua Dulce.

A secretária destaca que será preciso fazer uma gestão das vacinas. “O quantitativo que foi entregue ao Estado não consegue atender esse público alvo. Nossa gestão será no sentido de proteger, imunizar o maior número de pessoas, as mais expostas”, explica.
 
CUIDADOS 
Dulce Pimenta acredita que esta é uma situação que será resolvida com o tempo. “Pedimos à população paciência, porque na medida em que forem compradas mais vacinas, elas serão distribuídas para os municípios. Pedimos que continue mantendo as medidas de segurança até que seja imunizada 70% da população para evitar surto aqui em nosso município”, alerta. 

“A nossa única esperança é a vacina, não temos outra. Se não tiver imunização para os trabalhadores da saúde, quem vai cuidar da população?”, questiona a diretora-executiva do SindSaúde, que representa os 40 mil servidores estaduais da área, Neusa Freitas.

O Estado garante que todos os profissionais envolvidos na pandemia – universo de 227 mil – receberão as doses.  

LUZ
O infectologista Unaí Tupinambás, integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 na capital, reconhece que ainda falta muito para se falar em proteção geral, mas comemora. 

“Recebemos essa vacina com muita alegria. Sei que vai demorar um pouco para atingirmos um quantitativo de pessoas vacinadas, mas é uma luz contra essa pandemia”. Ele reforça a importância de que a população siga com as medidas de proteção.

SAIBA MAIS
A vacina contra a Covid-19 será gratuita?
Sim. Será oferecida pelo SUS.

Qual vacina posso receber, neste momento, em Minas?
A Coronavac, que foi aprovada para uso emergencial. 
 
Quais são os grupos prioritários para receber a dose?
Trabalhadores de saúde, pessoas com 60 anos ou mais que estejam em asilos, pessoas com deficiência e população indígena em terras demarcadas.
 
Não sou do grupo de risco. Posso comprar a vacina?
Por enquanto não.  
 
A vacinação é obrigatória?
Os municípios podem estabelecer medidas legais pela obrigatoriedade, como restringir o acesso a determinados locais apenas a quem recebeu a dose, mas não determinar a vacinação forçada. 
 
Após ser vacinado, posso parar de usar máscara?
Autoridades de saúde recomendam que a máscara continue sendo um acessório indispensável no dia a dia. A imunização só é completada após a aplicação da segunda dose. Além disso, a vacina não garante que a pessoa está 100% blindada contra a Covid-19. Ela reduz a chance de infecção e a gravidade da enfermidade, caso ocorra o contágio.