Mesmo com o retorno de regiões do Estado para a “Onda Amarela”, como é o caso do Norte de Minas, o governo mineiro manteve a suspensão de cirurgias eletivas em razão do baixo estoque de medicamentos usados na intubação de pacientes. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, vai vigorar até junho.

As cirurgias eletivas não essenciais são aquelas previamente agendadas pelos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse tipo de procedimento está suspenso em Minas desde fevereiro. “O grupo estuda a possibilidade de retorno gradual durante esse período, permitindo, por exemplo, aquelas cirurgias que não utilizam os medicamentos do kit intubação”, informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) em nota. 

Enquanto isso, pacientes aguardam com ansiedade e muita dor. É o caso da manicure Célia Almeida. Diagnosticada com pedra na vesícula, recebeu a recomendação de buscar com urgência a cirurgia, mas há sete meses não consegue marcar o procedimento. 

“Fiz o risco cirúrgico e levei à Secretaria de Saúde. Chegando lá, me pediram um laudo do médico do PSF. Levei o documento e estou até hoje aguardando. Quando procuro uma resposta, me dizem que é para ficar ligando. Quando ligo, respondem que estou no lugar de número 800 na fila. Já perdi a esperança. São 799 pessoas na minha frente e, com essa suspensão, a situação só piora”, diz Célia, que relata sentir dores insuportáveis.

“As dores me impedem até de trabalhar. Tenho a barriga inchada e sinto muita dor porque está infeccionada. Sofro com gases e muita dor nas costas. Preciso muito da cirurgia e não tenho nenhuma resposta. É uma cirurgia simples, mas custa em torno de R$ 5 mil. Não tenho como arcar com a particular, tenho que fazer pelo SUS. Tomo medicamentos, mas não resolvem o problema. É um paliativo que já não faz efeito”, lamenta a manicure, que neste período ainda teve que lidar com a perda da mãe, vítima da Covid-19. 

A irmã Neide acompanha de perto o sofrimento de Célia e diz que mesmo com a Covid, era preciso que o governo e a secretaria criassem algum mecanismo para atender as pessoas que precisam com urgência de procedimentos fora do espectro autorizado, que é o de cirurgia cardíaca e oncológica.
 
SEM PREVISÃO
De acordo com Cleiton Carnielle, responsável pela regulação da Diretoria Regional de Saúde, o controle quanto à demanda reprimida é feito pelos municípios. Ele afirma que as cirurgias de média complexidade continuam suspensas, porém, as cardíacas e oncológicas continuam sendo realizadas.

“Ainda não tem previsão para o retorno, mas a situação está sendo avaliada pelo Coes Estadual. O principal fator impeditivo é a grande falta de medicamentos do kit intubação. Anestésicos, relaxantes musculares, enfim, há uma falta no mercado”, pontua. 
 
CATARATA
Os hospitais da cidade cumprem a determinação de suspensão das cirurgias eletivas e realizam somente as ambulatoriais, ou seja, as que não precisam de internação e apresentam menor risco. É o caso da cirurgia de catarata, uma das mais procuradas no Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira e que, por recomendação da própria secretaria, reabre a agenda nos próximos dias.

“O paciente faz e volta para casa no mesmo dia, com menor risco de internação, de complicações. Então, dentro do quadro de cirurgias que temos pactuado, vamos reiniciar as de catarata. Realizávamos, em média, cem cirurgias no final de semana e havia ainda uma rotina na semana que já havíamos retomado, mas com esse momento delicado da pandemia, ficaram suspensas”, diz a diretora do HC Ana Paula Nascimento.

Até o fechamento da edição, a Secretaria Municipal de Saúde não enviou retorno sobre quantas pessoas estão na fila de espera por cirurgias eletivas em Montes Claros.