As mais de 730 cidades mineiras com menos de 30 mil habitantes poderão reabrir parte do comércio não essencial a partir deste sábado (1º), caso estejam com o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus controlado. No Norte de Minas, 74 dos 89 municípios – 83% – têm população de até 30 mil habitantes.

A informação foi divulgada pelo governador Romeu Zema (Novo) durante live realizada na tarde de ontem para anunciar mudanças no programa Minas Consciente.

Os pequenos municípios, que representam 85% das 853 cidades mineiras, poderão avançar de onda no programa se apresentarem, nos últimos 14 dias, uma taxa inferior a 50 casos confirmados de Covid por 100 mil habitantes.

Isso mesmo se a região onde estão inseridos estiver em uma onda (que reúne protocolos de abertura) diferente. Os critérios utilizados para avanço ou retrocesso nas regiões continuam sendo os mesmos, como a taxa de transmissão da doença e de ocupação de leitos.

De acordo com as novas ondas definidas pelo Minas Consciente, as cidades pequenas com a Covid controlada poderão reabrir diversos setores de comércio (como roupas, sapatos, móveis, artigos esportivos, brinquedos, flora) e serviços, como salões de beleza. Veja a lista completa do que pode funcionar, de acordo com as novas ondas do Minas Consciente.

De acordo com o governador, decidiu-se por um tratamento diferenciado para os pequenos municípios porque neles há um menor uso de transporte coletivo, um dos principais focos de transmissão do novo coronavírus.

“Nas cidades pequenas, em sua maioria, sequer existe um transporte público em número considerável. Conheço cidades pequenas e as pessoas se deslocam a pé, de bicicleta ou de carro, porque tudo é muito fácil, ninguém precisa estar se deslocando em transporte coletivo”, explicou Zema.
 
NOVAS CORES
As mudanças no programa Minas Consciente, que apresenta diretrizes e protocolos a serem seguidos por municípios para conter a transmissão do novo coronavírus, passam a vigorar no sábado. Uma das alterações é referente às cores escolhidas para definir as ondas.

Dessa vez, a inspiração é um sinal de trânsito: vermelho para regiões onde a situação de saúde é séria e somente os serviços essenciais devem ser abertos; amarelo indica situação intermediária, permitindo reabertura de negócios de menor risco de transmissão; e verde, com a reabertura de todos os setores econômicos. O setor de educação não integra o sistema de ondas. 
 
MICRORREGIÕES
O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, explicou que o Minas Consciente continuará trabalhando com as 14 macrorregiões de saúde, mas também levará em conta 62 microrregiões. Dessa forma, o prefeito poderá escolher se seguirá a orientação de onda para a macrorregião ou microrregião em que está inserido.

Baseada em diferentes indicativos de saúde, a orientação de qual onda deverá ser seguida para cada macro ou microrregião continuará sendo definida semanalmente, às quartas-feiras, após reunião do Comitê Extraordinário.

Após determinação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para que todos municípios mineiros sigam o Minas Consciente, ou mantenham somente serviços essenciais abertos, houve uma grande adesão ao programa. Até o momento, aderiram 805 prefeituras.

Passalio explicou que, no novo programa, bares e restaurantes já poderão receber clientes a partir da onda amarela – seguindo protocolos de segurança disponíveis no site do Minas Consciente.

Já as academias de ginástica só poderão reabrir nos municípios que foram inseridos na onda verde, a última na escala prevista, de acordo com as novas definições de cores.

Segundo o secretário-adjunto, as ondas serão definidas por diferentes indicadores de assistência hospitalar e transmissão do vírus, como taxa de ocupação de leitos (geral e Covid), porcentagem de leitos por habitantes e percentual de aumento de casos positivos de pessoas infectadas.

De acordo com Zema, o novo Minas Consciente foi construído a partir de uma consulta pública – que recebeu cerca de 600 contribuições – e conversas com o Ministério Público de Minas Gerais e a Associação Mineira de Municípios (AMM). “Sabemos que essa é uma questão que não envolve somente a área da saúde, mas envolve toda a sociedade”, afirmou o governador.

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, afirmou que o programa continua tendo o objetivo de garantir uma reativação econômica no Estado, combinada ao distanciamento social. “Nosso objetivo é ter controle da epidemia, preservando vidas, de forma que todos os mineiros que vierem a adoecer tenham atendimento (no sistema de saúde”, disse o secretário.