O animal identificado com o mal da vaca louca em frigorífico de Belo Horizonte é do Norte de Minas. A confirmação foi feita pelo presidente do Sindicato Rural de Montes Claros, José Avelino Pereira Neto. A situação, no entanto, não deve preocupar os produtores e consumidores, segundo ele.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou os dois casos da doença na última quinta-feira – um em BH e outro em Nova Canaã do Norte (MT). 

O laudo confirmando que se tratava de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) foi divulgado no último sábado. No entanto, os dois casos foram diagnosticados como atípicos – não estão relacionados com ingestão de alimentos contaminados, não oferecendo riscos à saúde pública.

Segundo José Avelino, o caso não indica falta de qualidade e segurança sanitária dos rebanhos. “Pelo contrário, é exatamente devido ao excelente controle que a contaminação foi identificada e o produto não foi comercializado aos consumidores”. 

A doença clássica, que chegou a causar mortes na década de 1990, é causada quando há alimentação do rebanho com proteína animal, o que é proibido no Brasil.

“É importante que os consumidores estejam tranquilos, tanto com a responsabilidade dos criadores quanto das autoridades sanitárias brasileiras. Esses casos atípicos ocorrem quando há uma mutação genética”, ressalta Avelino. Conforme o Mapa, os dois casos são isolados, de gado que não chegou a ser comercializado.
 
INSPEÇÃO
Os dois casos, de acordo com o Mapa, foram detectados durante uma inspeção, quando avaliaram vacas de descarte – animais que apresentavam idade avançada e que estavam em estado de convalescência nos currais.

A confirmação foi realizada no sábado, em laboratório de Alberta, no Canadá, com o Brasil já tendo notificado oficialmente a Organização Mundial da Saúde Animal, de acordo com as normas sanitárias.   

EXPORTAÇÃO
Com a confirmação, a exportação de carne bovina para a China foi suspensa, desde o último sábado, cumprindo protocolo entre os dois países. A medida é temporária até que as autoridades chinesas concluam a avaliação das informações sobre os casos.

O Mapa frisa que o Brasil não está sendo reconhecido com o status de risco, por serem casos de EBB atípica. Em 23 anos de monitoramento, o ministério identificou outros três casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina, todos atípicos.

PREVENÇÃO
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Montes Claros, os animais abatidos em frigoríficos são fiscalizados individualmente. “Quando há alguma anormalidade, tipo a vaca louca atípica, esse animal é separado, é descartado e todo o procedimento de análise é feito em laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura”, afirma José Avelino.

O dirigente também destaca que os produtores não têm motivo para se preocupar. “No rebanho do Norte de Minas há quase três milhões de cabeças e nós tivemos apenas um animal contaminado”.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) afirmou que fez o abate de emergência do animal doente e interditou a fazenda de origem.

SAIBA MAIS
​O Ministério da Agricultura afirma, em nota, que o Brasil mantém sua classificação como país de risco insignificante para a doença, não justificando qualquer impacto no comércio de animais e seus produtos e subprodutos.
 
SINTOMAS
A doença causa diversas alterações neurológicas no gado, como excitação excessiva, ranger de dentes e falta de coordenação motora. Como a doença não tem cura, o animal infectado é isolado e sacrificado. Para o diagnóstico clínico e laboratorial, fragmentos do sistema nervoso central são usados pelos médicos.
 
Segundo a Fundação Ezequiel Dias, a doença tem rápida evolução e é fatal. Os sintomas em humanos envolvem manifestações psiquiátricas e perturbações sensoriais, seguidos de demência, movimentos involuntários, incontinência urinária, desorientação espacial e temporal, dificuldade de comunicação e de movimentação.