Municípios do Norte de Minas que tradicionalmente promovem o Carnaval suspenderam a realização do evento em virtude da pandemia do novo coronavírus. Vários deles, seguindo a orientação do Estado, suspenderam o decreto de ponto facultativo de 15 a 17 de fevereiro, com o intuito de que isso possa reduzir o risco de aglomerações e viagens.

Em Buenópolis, cidade famosa pelas cachoeiras e que atrai muitos turistas neste período, o prefeito Célio Santana, que também é vice-presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), determinou que todos os servidores municipais trabalhem normalmente na próxima semana. Ele acredita que manter o feriado no calendário poderia estimular o deslocamento de pessoas até a cidade e haver uma propagação do vírus. 

“Aproveito para pedir também à nossa gente que neste verão evite aglomerações em rios e cachoeiras e que nos ajudem a controlar o avanço do vírus”, solicita o prefeito. Célio Santana salienta que, apesar de a vacinação ter iniciado, o momento não é de relaxar com as medidas de prevenção.

O presidente da Amams, Nílson Bispo, prefeito de Padre Carvalho, também decidiu por cancelar o Carnaval. A assessoria da associação informou que ainda não houve uma reunião oficial para avaliar os impactos da medida para a região, mas entende que a decisão é acertada e que no momento é preciso priorizar a saúde da população.
 
ECONOMIA
O impacto econômico da suspensão da festa é evidente. Empresários de Pirapora, cidade às margens do rio São Francisco que recebe turistas de todas as partes do Brasil nesta época, avaliam que serão afetados com o cancelamento do Carnaval, mas consideram a decisão necessária. 

Egnaldo Barbosa, proprietário de um dos restaurantes mais famosos da cidader e bastante frequentado no período momesco, entende que o momento é de priorizar a saúde. “Temos que ter um olhar sobre o momento em que vivemos e a aglomeração pode trazer uma elevação dos casos da Covid. Mas, com certeza, estamos todos sendo prejudicados pela pandemia”, afirma.

O prefeito de Pirapora, Alex César, diz que a cidade perde muito, tanto em termos financeiros quanto em tradição turística. “O impacto é bastante significativo, não temos como apresentar números exatos, mas basta destacar que os cálculos do último grande Carnaval realizado em Pirapora, em 2016, gerou para a cadeia produtiva da cidade investimentos novos da ordem de R$ 6 milhões, beneficiando rede de hotéis, bares, restaurantes, postos de combustíveis, dentre outros”.