Benjamim Oliveira Júnior


Correspondente



JANAÚBA – O artista não pode se sentir inferior diante do seu dom. Esta frase foi dita pelo cantor e compositor baiano Paulo Sérgio dos Santos, nesta semana, durante estada em Janaúba em seu retorno a Guanambi-BA, após dois meses de peregrinação por várias cidades brasileiras. A turnê teve a finalidade de lançar o CD Arte na rua, com 23 faixas, em que retrata, nas entrelinhas, o sentimento de liberdade.



Aos 30 anos, a maioria convivida na estrada e em diversas localidades, Paulo Sérgio foi batizado de cantor romeiro diante da sua disposição e carisma por onde passa. Ela afirma que conhece mais de mil cidades em todo o Brasil.



- Gosto de viver um pouco de cada comunidade, contribuindo, na medida do possível, para a difusão da arte – diz o artista que, aos 6 anos de idade, juntamente com os pais e irmãos, deixou o interior da Bahia em busca de vida melhor em São Paulo.



A família retornou à Bahia, mas Paulo continuou na capital paulista onde inspirou pelo projeto que hoje desenvolve Brasil afora.



INVENÇÃO E INSPIRAÇÃO



Sem residência fixa, Paulo Sérgio utiliza de sua vivência na rua e das peregrinações pelas cidades como inspiração para confeccionar artesanato, cuja renda é usada para as viagens. Ele tem uma invenção: luzes que piscam conforme os batuques em latas. O estilo são músicas eletrônicas, mas o cantor romeiro gaba-se de possuir um acervo de 119 composições próprias, das quais 19 estão incluídas no CD Arte na rua. Na verdade, são experimentações sonoras através de bases eletrônicas.



Para extrair os ritmos eletrônicos, o baiano utiliza vidros, latas, gaita e manilha, além de muitas luzes.



- Misturo os ritmos com alguns dizeres baseados nas minhas viagens - explica Paulo Sérgio, que começou a cantar em feira hippie.



Ele já se apresentou em emissoras de rádio e televisão na Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná – onde se apresentou com a banda Pecado Inicial – e em outros estados.



Paulo Sérgio diz que não sabe quando realizará a próxima turnê pelo Sudeste do Brasil, mas está esperançoso quanto à possibilidade de alguém reconhecer seu trabalho. Ele carrega os CDs e peças artesanais na mochila e sobrevive da venda desses produtos.