O Banco do Nordeste pretende liberar R$ 3 bilhões em linhas de crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para projetos do Norte de Minas e vales do Jequitinhonha e Mucuri em 2020. Para pequenas empresas, o valor deve chegar a R$ 250 milhões somente nestas regiões. 

O superintendente estadual do Banco do Nordeste no Norte de Minas Gerais e Norte do Espírito Santo, João Nilton Castro Martins, afirmou com exclusividade a O NORTE que o banco já bateu a meta de financiamentos em 2019 e se prepara para atender à demanda de 2020.

Até 18 de novembro, já foram liberados R$ 2,7 bilhões, R$ 205 milhões a mais que a meta prevista para o ano, mesmo um mês antes do fechamento das contas.

Montes Claros se destaca na busca por crédito no ramo de bares, restaurantes, lojas, clínicas e consultórios médicos, além da área educacional. Alguns projetos podem conseguir mais prazo e menores taxas durante a análise do banco. 

“Acreditamos que todos os segmentos são importantes para o desenvolvimento da região. Entretanto, alguns têm olhar mais atento. Uma indústria pequena em Guaraciama, por exemplo, trará impacto maior ao município se comparado com Montes Claros. Analisamos geração de emprego, renda e impacto econômico. Empresas que trazem inovação e também as startups, que trazem algo novo, diferente, têm geralmente mais prazo e taxa menor, deixando-as mais sustentáveis”, afirma João Nilton.
 
ENERGIA SOLAR
O superintendente do Banco do Nordeste não acredita que a possível revisão da resolução normativa 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – que pode alterar as compensações a geradores de energia fotovoltaica, ao impor taxas pela utilização da rede elétrica, publicado por O NORTE recentemente – deva afetar os projetos relacionados ao setor do BNB. 

“Recebemos muitos projetos voltados para a energia de diversos segmentos, tanto de linhas de transmissão quanto de usinas solares. As pessoas também têm procurado para colocar nas residências e no pequeno comércio. Acredito que (a proposta da Aneel) vai chegar em um desenho melhor do que vem se propondo. Não deve ser impactante para o pequeno, pois traz um apelo social muito grande”, analisa João Nilton.


Mais competitividade para os pequenos
Na última sexta-feira (22), o Banco do Nordeste firmou acordo de cooperação técnica com o Sebrae. O objetivo é fortalecer e ampliar a competitividade dos pequenos negócios dos nove estados nordestinos, além do Norte de Minas e Norte do Espírito Santo.

Ao todo, pequenos negócios de cerca de 2 mil municípios, sendo 89 no Norte de Minas, serão beneficiados com a ampliação do acesso ao crédito. As novas ações devem começar no primeiro semestre de 2020. 

Walmath Magalhães, analista do Sebrae Minas, explica que o acordo com o BNB vem sendo costurado há algum tempo e que agora oficializa a intenção das instituições. 

“Queremos justamente promover ações e estar junto da micro e pequena empresa através de políticas de fomento. O Sebrae, com a orientação, a capacitação gerencial do empreendedor, e o Banco do Nordeste ofertando crédito e financiamento para os pequenos negócios. Muitos empreendedores não conseguem aumentar as vendas justamente por faltar insumos e investimentos para chegar a novos mercados”, afirma Walmath.

João Nilton ressalta que a parceria com o Sebrae visa dar suporte para os pequenos negócios, desde a gestão de pessoas na empresa até a maneira de se colocar no mercado, para evitar que eles fechem as portas. 

“Nascem muitas empresas, mas morrem muitas também. Nossa preocupação para com o desenvolvimento regional é de diminuir esse número de empresários impactados, muitas vezes, por deficiência de gestão e ou capacidade técnica de operação, já que não basta saber fazer bem o produto. É preciso saber colocá-lo no mercado”, diz o superintendente do banco.