O Norte de Minas é o principal polo produtor de bananas do Estado, com destaque para a cultivar Prata Anã. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na região estão plantados mais de 20 mil hectares de bananeiras. As principais áreas de cultivo estão nos municípios de Jaíba, Janaúba, Nova União e Nova Porteirinha. Estima-se que a cadeia produtiva gere cerca de 12 mil empregos diretos e 35 mil indiretos na região.

Apesar de ser uma referência em Minas, os produtores norte-mineiros precisam trabalhar duro para blindar as plantações das principais doenças dos bananais: a sigatoka-amarela e o mal-do-Panamá (fusariose). Esses desafios tornam a produção de bananas, principalmente da banana Prata, um negócio que exige dedicação e investimento. A depender das condições de solo, manejo e de estresses sofridos pelas plantas, a variedade pode não resistir às pragas.

Atenta a essa questão, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) avalia cultivares de bananas mais resistentes a doenças com o objetivo de oferecer aos produtores do Norte de Minas opções para diversificar a produção, especialmente em locais onde as pragas são responsáveis por inviabilizar o cultivo de bananas.
 
PLATINA
Um dos destaques fica com a BRS Platina, cultivar lançada em 2012 pela Embrapa em parceria com a Epamig e o IFBaiano (Campus Guanambi). A variedade possui porte médio e características idênticas às da Prata Anã, tanto em aspectos de desenvolvimento quanto em termos de rendimento. 

A planta da cultivar apresenta produtividade média de 20 toneladas por hectare ao ano, mas, em boas condições de solo e manejo, esse número pode ser o dobro – 40 toneladas por hectare ao ano.
 
PRINCESA
Outro
destaque é a BRS Princesa, que vem atender a demanda de frutos da cultivar Maçã, em escassez no mercado devido à suscetibilidade ao mal-do-Panamá. 

A variedade, lançada pela Embrapa em 2010, atinge produtividade em torno de 15 a 25 toneladas por hectare ao ano. Esse cultivar apresenta características semelhantes à Banana Maçã, apesar de não ser dessa variedade.
 
MERCADO
As duas cultivares são resistentes à sigatoka-amarela, à sigatoka-negra e ao mal-do-Panamá. Além disso, a Epamig realiza uma série de experimentos em campo com as variedades para aprimorar os processos de manejo, adubação e potencializar os usos de água para irrigação. Porém, o cultivo das bananas Platina e Princesa, embora atraentes para os produtores, ainda não é uma atividade economicamente rentável. O motivo e a resposta estão nos próprios consumidores.

De acordo com Maria Geralda Vilela, pesquisadora da Epamig, tanto a BRS Platina quanto a BRS Princesa são boas cultivares do ponto de vista agronômico. As variedades se dão muito bem em cultivos orgânicos ou em sistemas tradicionais com pouco ou nenhum defensivo químico. Contudo, mesmo com algumas semelhanças, os frutos dessas cultivares são diferentes quando comparados às tradicionais bananas Prata e Maçã, já consolidadas no mercado. As diferenças estão no tamanho, espessura da casca, consistência da polpa e ponto de maturação.
 
COMPARAÇÃO
E o problema parece ser mesmo as comparações. A pesquisadora conta que os empresários que vão até o Norte de Minas comprar os frutos para revender se dão conta de que não se trata de legítimas bananas Prata e Maçã. A comparação inevitável é usada como argumento para pagar menos, o que desestimula os produtores.

Segundo a pesquisadora da Epamig, Ariane Castricini, é preciso ter em mente que essas cultivares são híbridas do tipo Prata ou Maçã. Isso não significa que elas vão tomar o lugar de variedades tradicionais ou chegar aos mercados como um fruto que vai “enganar” os consumidores.

Maria Geralda acredita que um trabalho de conscientização dos consumidores pode facilitar o comércio de bananas dessas cultivares. “Agronomicamente, as plantas são muito boas e possuem sistemas de produção prontos. Creio que elas não dão conta de substituir as variedades tradicionais, mas, em alguns locais, onde os cultivos são inviabilizados pelo mal-do-Panamá, é sim uma possibilidade para plantio. Porém, não tem como incentivar o plantio sem antes trabalhar o mercado”, avalia a pesquisadora.

*Com Agência Minas