O anúncio de que o Governo federal vai buscar empresas privadas interessadas em parceria para construir a Usina Hidrelétrica Formoso (UHE Formoso), no rio São Francisco, em Pirapora, faz ambientalistas questionarem a necessidade e a viabilidade do projeto e temerem o impacto do empreendimento na natureza. 

O assunto voltou a ter destaque após o presidente Jair Bolsonaro assinar, na semana passada, decreto inserindo a UHE Formoso no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República – PPI, após recomendação feita pela Casa Civil. A ideia é que a estrutura seja erguida a 12 km de Pirapora e a 88 km da hidrelétrica de Três Marias.

O ambientalista Eduardo Gomes ainda não teve acesso ao projeto, mas ressalta que obras desta magnitude destoam da tendência mundial de buscar energias limpas, baratas e com baixo impacto ambiental. 

“O governo deveria investir em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e outras fontes mais limpas como a eólica e a solar, principalmente na nossa região. Grandes empresas têm buscado o Norte de Minas para investir em energia fotovoltaica, devido ao potencial local. Investimentos em hidrelétricas são sempre muito altos e com impactos ambientais consideráveis. O momento é de repensar todos os investimentos e estratégias”, analisa.

Professor universitário e ambientalista, Apolo Heringer diz que é preciso preservar os peixes, a piracema (período de reprodução das espécies) e as lagoas marginais. Ele diz que vai lutar contra a construção da usina junto ao Velho Chico. 

“Hoje o país tem uma integração que permite unir outras matrizes energéticas como solar e eólica, em que se pode gerar energia em um determinado espaço e usar em outro. Então, não há necessidade de hidrelétrica”, diz. “O motivo de eu ser contra é ecológico. A construção de uma barragem no leito do rio é uma agressão. Você corta a piracema em uma região que já sofre com a Usina de Três Marias e mata junto com o rio os barranqueiros, os ribeirinhos”, explica. 

Pirapora já tem duas pequenas usinas solares, além da Marambaia – considerada a maior usina fotovoltaica da América Latina e a terceira maior do mundo. Outra da mesma magnitude está em processo de licenciamento. 
 
O PROJETO
A UHE Formoso terá investimento previsto de R$ 1,8 bilhão e 306 MW de potência instalada. O projeto de instalação da hidrelétrica está sendo desenvolvido pela Quebec Engenharia. A construção deve durar 36 meses após a autorização para início das obras. Entretanto, ainda é necessário obter a licença ambiental e definir o concessionário.

Neste momento, a empresa aguarda a liberação do Ibama para emissão da Autorização para Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico (ABIO). A expectativa é a de que o Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) seja entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em breve.

De acordo com a prefeitura de Pirapora, o município ainda não foi notificado sobre a possibilidade de instalação da UHE e o que se sabe até o momento está vinculado ao interesse do governo federal, publicado no decreto. 

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Casa Civil, mas não obteve retorno. A Quebec Engenharia foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos.