Em Mirabela, 143 agricultores familiares foram contemplados para receber o Garantia Safra, ação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O investimento será de R$ 118.150, que serão repassados para quem registrou perda de pelo menos metade da produção de algodão, arroz, feijão, mandioca ou milho.

A indenização de R$ 850 será repassada nas mesmas datas definidas pelo calendário de pagamento de benefícios sociais da Caixa Econômica Federal.

Os recursos são originados de contribuições feitas pelos agricultores ao município, ao Estado e à União.

“No caso de Mirabela, o critério único e exclusivo é a escassez hídrica. Depois de escolhidos, são selecionados 20% deles para fiscalização de situação. O técnico da Emater-MG vai até as propriedades para fazer a vistoria. Em 2008, quando implantado na cidade, eram apenas 40. Hoje, triplicamos o número de adeptos”, afirma Alex Sandro Alves, servidor público da Prefeitura de Mirabela cedido para a Empresa de Assistência Técnica Rural (Emater).

Os R$ 118.150 a serem injetados no município neste ano vão “aquecer a economia como um todo, pois é movimento em supermercados, lojas de implementos agrícolas. É um valor importante para toda a cidade”, avalia o prefeito Luciano Rabelo.
 
LAUDOS RURAIS
“Temos duas realidades distintas em Mirabela. Onde é mais úmido, a agricultura é diferenciada, como na região do Riachão que tem água. Já na área do Muquém, que é mais seca, o solo, por exemplo, precisa de mais adubação. Os laudos indicam a necessidade de implantação de novas tecnologias”, afirma Alex Alves.

Para ele, dá para se ter um real mapeamento dos problemas do município, pois a cada ano agrícola são definidos agricultores diferentes.

“Agora mesmo podemos ver que há necessidade de correção do solo, criação de curva de nível, rotação de cultura e adubação verde. Complicado é que a cada análise de solo, por exemplo, o custo é alto. O valor mínimo cobrado no mercado é de R$ 70”, afirma.

Agricultura familiar
Em Mirabela, são 1.567 agricultores familiares cadastrados na Emater. Segundo a funcionária da Emater Annete Rabelo, nem todos são atendidos pelos programas. No ano passado, foram assistidos 797 agricultores, 200 mulheres rurais, 80 estudantes rurais e dez outros produtores. A cidade tem como principais produtos frango, artesanato, milho e hortaliças. A extensão territorial é de 720 quilômetros quadrados.

Um dos agricultores beneficiados é Jackson Lopes Fonseca , da Comunidade do Retiro. Ele planta milho, mandioca e feijão. Desanimado com a pouca chuva que ocorre no sertão, muda o ânimo diante da possibilidade da chegada do recurso.

“Vem em uma boa hora. A minha produção é pouca, falta chuva, sobram perdas, pois ficamos tempos sem chuva. Para mim, é ótimo, é excelente o dinheiro. Eu compro cesta básica e rende para um bocado de outras coisas”, afirma Jackson Fonseca.