O farmacêutico vem conquistando espaço e se fazendo necessário em diversas áreas de atuação na saúde. Este é o caso de Márcio Souza Vasconcelos, que, trabalhando em Montes Claros, é o primeiro profissional mineiro de farmácia a integrar uma equipe de urgência e emergência do SAMU  - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Ele é um dos profissionais da equipe macro urgência e emergência do Norte Minas – SAMU Macro Norte – há quase dois anos.





Pioneira no Estado, a regionalização do serviço foi instituída em 2008 pela secretaria de estado da Saúde (SES-MG) em parceria com o Ministério da Saúde e dos municípios e atende a 86 cidades do Norte de Minas, totalizando mais de 1,5 milhão de habitantes. Esses municípios são administrados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (CISRUN).



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Márcio Vasconcelos organiza medicamentos para as unidades móveis



De acordo com Márcio, a equipe trabalha com seis unidades de suporte avançado (USA) e 38 unidades de suporte básico (USB). As ambulâncias ficam em municípios estratégicos e, quando há necessidade, são deslocadas para cidades menores para atendimento à população.





Na unidade básica trabalham um condutor socorrista (profissional com carteira de habilitação para conduzir a ambulância, mas com treinamento especial para auxiliar as vítimas), e um técnico de enfermagem.





Já na unidade avançada (USA) trabalham um médico intervencionista, um enfermeiro um condutor socorrista, que têm à disposição equipamentos de UTI, como desfribiladores, aspiradores, respiradores, oxímetro de pulso, eletrocardiograma e telemedicina. Para os casos mais graves ou para locais de difícil acesso, a Polícia Militar auxilia disponibilizando um helicóptero para remover e fazer o transporte do paciente.





Todas as chamadas feitas na região da Macro Norte para o número 192 são recebidas na Central de Regulação, localizada em Montes Claros. O atendente anota os dados, filtra as informações e passa para o médico regulador, que gerencia as ações dos profissionais do SAMU e decide os procedimentos a serem adotados.





- Todos os passos devem ser bem apurados e avaliados, pois a equipe dentro da ambulância são os olhos do médico da regulação - diz o farmacêutico Márcio Vasconcelos. Graduado em Farmácia em 2008 pela Funorte - Faculdades Unidas do Norte de Minas, Márcio Vasconcelos diz ter orgulho em ser o primeiro farmacêutico mineiro a atuar na urgência e emergência do SAMU, conforme prevê a Resolução 354/2000, que dispõe sobre a assistência farmacêutica pré-hospitalar, as urgências e emergências.





- Fico orgulhoso em ser o farmacêutico pioneiro nessa equipe e de saber que é mais um campo de atuação para a nossa profissão, que tem o propósito de prestar serviços farmacêuticos à população - enfatiza.








PAPEL DO FARMACÊUTICO





O papel do farmacêutico na equipe não se limita à dispensação dos medicamentos. De acordo com Márcio, é sua função fazer o SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamentos de Produtos Controlados), o registro nos livros pertinentes, gerenciar o almoxarifado, distribuindo os materiais e medicamentos para todas as bases dos municípios conveniados com as secretarias municipais de Saúde (através dos transportes sanitários dos municípios).





Ele também deve fazer o controle de qualidade, validade e estoque desses materiais e medicamentos, prestando, juntamente com a equipe, assistência às bases.





É ainda responsável pela descrição de todos os materiais e medicamentos dos processos licitatórios e dos POP’S (Procedimentos Operacionais Padrão) utilizados em todas as bases.








CAIXA DE MEDICAMENTOS





No SAMU, compete ainda ao farmacêutico repor e organizar a caixa de medicamentos, com produtos determinados na Portaria 2048/2000. A guarda desta é de responsabilidade do plantonista da ambulância, que pode ser o técnico de enfermagem ou o enfermeiro.





A diretora do CRF-MG Júnia Célia de Medeiros acrescenta que, de acordo com Portaria 2048/2000, a caixa de medicamentos é obrigatória em todas as unidades de saúde. Segundo disse, é importante os farmacêuticos terem conhecimento do assunto, mantendo a caixa de emergência disponível em suas unidades e conferindo as datas de validade, conforme a normatização.





De acordo com Márcio, com a regionalização do serviço é preciso levar em consideração as características e peculiaridades de cada município, acrescentando à caixa os medicamentos necessários. Um exemplo citado pelo farmacêutico refere-se à reserva dos Xacriabás no Norte de Minas, onde é grande a incidência de partos prematuros.





- Além dos medicamentos determinados na Portaria, para fazer esse atendimento acrescentamos à caixa outros necessários à parturiente e ao bebê - relata. Atualmente ele também está implantando no SAMU, juntamente com a sua equipe, a Comissão de Farmacoterapêutica para padronizar os medicamentos usados na urgência e emergência daquela unidade. (Farmácia Revista)