Todo segmento de mercado depende do fator novidade para gerar interesse do público. Equipes de marketing quebram a cabeça todos os dias para criar novas demandas de consumo. E o desafio aumenta quando se trata de um dos nichos mais aquecidos do mundo: a telefonia móvel. E como fazer para revolucionar um smartphone? Dobre a tela. 

O telefone dobrável ainda é algo exótico no mercado. Hoje, a Samsung puxa a fila com os modelos Z Fold 3 e Z Flip 3. São aparelhos caros que assustam o consumidor. O primeiro é encontrado a preços entre R$ 10,5 mil a R$ 13,8 mil, enquanto o segundo não sai por menos R$ 7 mil e pode subir para até R$ 9,3 mil.

À primeira vista parecem ser apenas mais um aparelho extravagante para o dono se exibir abrindo e fechando a tela. No entanto, executivos da marca sul-coreana garantem que esse novo formato vai além de um modismo.

Segundo o gerente de Marketing de Produto da linha de smartphones da Samsung, Renato Citrini, as vendas dos dobráveis superaram as expectativas da marca. “A participação do Z Fold superou nossas expectativas e já soma mais de 6 milhões de unidades vendidas. Em mercados como o norte-americano e o europeu, eles estão substituindo os modelos convencionais”, aponta.

Trata-se de um volume diminuto perto dos 1,53 bilhão de unidades vendidas no mundo todo em 2021. Mas se tratando de um produto tão caro e “fora do padrão”, os seis milhões são bastante expressivos e indicam uma crescente para os próximos anos. “Nossas projeções indicam que em 2025 teremos 117 milhões de aparelhos com tela dobrável vendidos”, aponta Citrini. 

No Brasil, o executivo não abre números, mas aponta que a demanda pelo modelo segue a toada dos demais mercados. De acordo com o gerente, um dos motivos pelo interesse nos dobráveis é o elemento inovação no formato básico do celular. 

Desde a chegada do iPhone em 2007, a indústria seguiu um padrão único de design, com sua forma retangular. O que evoluiu de lá para cá foi a remoção dos botões, aumento da área de tela, redução de bordas, mas o desenho básico era o mesmo.

Outra razão é a funcionalidade. Os dobráveis oferecem mais conforto para uso de aplicativos de trabalho, assim como para o lazer. A tela permite gravar vídeos sem uso de suportes, pois o próprio corpo serve de base.
 
NOTEBOOK E TABLET 
O Z Fold 3, segundo Citrini, é um aparelho formatado para quem precisa de tela para trabalhar. Aberto, a tela interna tem 7,6 polegadas, o que garante uma boa área de visão e manuseio. 

O hardware, que conta com unidade de oito núcleos, placa gráfica Adreno 660, 12GB de RAM, assim como versões de 256 e 512GB de armazenamento, somando com a rede 5G, fazem desse dobrável uma máquina de alta performance para o trabalho.

Além disso, ele permite a conexão de qualquer teclado, se transformando em um notebook. “Simplificamos as coisas. Basta um adaptador USB-C para que qualquer teclado se conecte ao Z Fold 3. Além disso, ele é compatível com a caneta Galaxy S Pen, que facilita muito a produtividade”, exemplifica.

Por outro lado, o telefone reduz um pouco seu poder de fogo no quesito fotografia e vídeo. Tanto o Z Fold 3 quanto o Z Flip 3 contam com lentes traseiras de 12MP, enquanto a frontal é de 10MP e a central do Z Fold 3 tem apenas 4MP. 

Ou seja, bem aquém dos múltiplos olhos do Galaxy S21 Ultra, com sua lente de 108 MP e zoom ótico de 10 vezes e capacidade de gravar em 8K. A dupla de dobráveis grava no máximo em 4K a 60 fps, o que é impressionante.

Mas de acordo com o executivo, são funções para cada tipo de público. O comprador do S21 Ultra busca essa funcionalidade de produção de imagem, enquanto o comprador do dobrável procura praticidade para o trabalho, seja editar uma planilha no Excel ou apenas para poder gravar vídeos sem carregar um tripé. Depois que se cria a demanda, não tem volta.