Foi em Paris que o termo "Alta-Costura" apareceu, lá no século 19. Serviu para designar o conjunto de maisons (casas de moda) que apresentavam certo nível de qualidade naquela época, e é assim até hoje. O vocábulo é patenteado e, teoricamente, grifes não aprovadas pelo sindicato de moda francês não podem ser intituladas "Haute Couture" (Alta-Costura, na tradução livre). No entanto, apesar de toda a pompa e circunstância empregadas a essa seção do universo fashion, o que é apresentado nas coleções das marcas acaba por se transformar em tendência e ganhar as ruas, ou o street style, como dizem.

Na última Semana de Alta-Costura de Paris, que findou no início deste mês, quatro trends despontaram como favoritas para que estilistas e outros criadores do mundo possam beber na fonte de Dior, Fendi, Schiaparelli e outras e gerar as coleções que veremos e, quem sabe, usaremos.

Brilho
O primeiro e mais marcante deles é o brilho. Seja por meio de tecidos metalizados ou peças bordadas com lantejoulas, paetês e outros detalhes. Além das grifes citadas acima, a Valentino também apresentou a tendência.

Na coleção chamada Code Temporal (Código do Tempo, na tradução do inglês), o diretor criativo da marca, Pierpaolo Piccioli, apostou no brilho e em muita alfaiataria com conforto e levou, também, boas surpresas, como a presença de homens na catwalk - primeira vez na história da marca.

Propôs uma coleção casual, porém seguindo todas as regras necessárias para continuar na Alta-Costura, sendo prova de que há o entendimento sobre o que é seguir relevante nesse momento pelo qual passa o mundo. "É o ritual, o processo, o cuidado, a humanidade. É isso que torna a Alta-Costura atemporal, especial", disse Piccioli à Vogue Runway.

Proporções
Com o olhar artístico que sempre teve, a grife Schiaparelli, sob a batuta do diretor de criação Daniel Roseberry, mostrou a segunda grande trend: volume. Mangas bufantes, babados e outros detalhes nas peças deixam claro que as proporções aumentadas seguem fortes.

"Nesta minha terceira coleção para a Schiaparelli, eu queria desafiar a ideia do que a Alta-Costura é e deveria ser, fazendo roupas que respeitassem não só a tradição desta maison, mas a arte por trás dela, ao mesmo tempo que explodiam os clichês associados ao gênero", revelou Roseberry em declaração publicada no site oficial da maison.

Outras
Características mais masculinas nas peças femininas e os ombros à la anos 80 marcam a terceira tendência, que possui lugar cativo na Semana de Alta-Costura de Paris, a alfaiataria. É possível identificar com clareza nas coleções de Valentino e Chanel.

Já como quarta forte trend destacamos a transparência, que marca a presença de tecidos como tule e organza (como nas criações da Dior, cuja coleção foi apresentada em um vídeo incrível - que você vê abaixo), que aparecem ao lado das fibras naturais, que têm tudo a ver com o conforto solicitado por todo e qualquer cliente de moda (resultado do “fique em casa”), como viscose e seda.