Na indústria da tecnologia, vender serviços pode ser muito mais interessante que produtos manufaturados. E as razões são muitas. A empresa elimina custos com imóveis, linhas de produção, fornecedores, logística, estoque, dentre outros. O processo de faturamento também é mais dinâmico, afinal basta contratar o serviço de forma on-line. 

Empresas como a IBM, por exemplo, deixaram de fabricar computadores domésticos para se dedicar a serviços, sistemas e soluções de TI de grande porte. Fabricantes de consoles como Sony, Microsoft e Nintendo querem extinguir jogos em mídias físicas, para aumentar a rentabilidade de suas operações.

E a Razer, fabricante de equipamentos de alto desempenho para games, também resolveu diversificar seu modelo de negócio.

Conversamos com o diretor de Marketing da Razer, Zuber Mohammed, que explicou como a marca ganhou visibilidade e participação de mercado, com competições exclusivas, como o Razer Invitational, que teve etapa exclusiva para América Latina, no final de novembro e início de dezembro.
 
VITRINE 
Ter um campeonato próprio pode demandar custos e uma logística complexa, mas é uma forma de demonstrar na prática o funcionamento de seus produtos e evitar concorrência. Afinal, fones, teclados, mouses são todos da mesma marca e brilham diante dos olhos do público. 

No entanto, a menina dos olhos da Razer é o Razer Gold, serviço de venda de créditos para uso em jogos. Trata-se de uma moeda virtual que é aceita por milhares de games, e que está disponível no Brasil desde 2019. “Queremos interagir com nossos fãs e apresentá-los aos nossos serviços, que vão além dos periféricos, como o Razer Gold”, explica.

Essas moedas são utilizadas em transações dentro dos jogos. Ao invés de o consumidor ter de usar seu cartão de crédito sempre que comprar um item dentro de um game, ele carrega um pacote de créditos em sua conta e pode torrar a grana virtual em diferentes games.

As transações internas são corriqueiras em grande parte dos games atuais. No entanto, é no mercado mobile que o dinheiro jorra. De acordo com o Relatório do Mercado de Jogos Global e da Newzoo, que monitora o desempenho da indústria de games, este ano o setor faturará US$ 159 bilhões. 

E nessa toada os jogos para telefones corresponderão a 48% de todo o faturamento, o que equivale a US$ 77 bilhões. Desse montante, as vendas internas correspondem a maioria do faturamento, uma vez que a estratégia do mercado se foca no chamado “free to play”. Ou seja, o jogador adquire o game de graça, mas precisa consumir dentro dele. 
 
VEIO DE OURO 
O Razer Gold foi a solução que a empresa encontrou para entrar no segmento que é o mais lucrativo. Afinal, ela não teve sucesso com seu Razer Phone, mas viu que poderia faturar muito no mobile com sua casa de câmbio para games.

Daí, o foco de Mohammed está nessa mina de ouro virtual, que estimula sua empresa a rodar o mundo com competições de jogos. “Nosso crédito virtual unificado está disponível para mais de 33 mil jogos. Garantimos que seja fácil de obter via gold.razer.com, mas também com opção off-line, que é aceito por muitos provedores de conteúdo”, comenta o diretor de Marketing, que premia os jogadores com as moedas e também distribui o “dinheirinho” para sua audiência. 

E a estratégia tem funcionado. Segundo o executivo, a plataforma registrou aumento de 126%. Mohammed afirma que o e-sport tem sido fundamental para o ganho de visibilidade e consequentemente de novos clientes. 

“Nossa base de usuários de software aumentou para 100 milhões, enquanto nossos canais sociais chegaram a 10 milhões de seguidores no Facebook. Hoje estamos presentes em 130 países”, explica o executivo que revela que a edição do Razer Invitational, realizada em julho, teve audiência de 10 milhões de telespectadores.

Ainda é cedo para dizer se a Razer vai deixar de focar em seus sofisticados equipamentos para gamers, como a IBM fez, ao vender sua divisão de computadores para a Lenovo, mas é certo que o Razer Gold será quem irá pagar a conta. 

“Esperamos registrar um lucro ajustado antes do imposto de renda para o ano financeiro de 2020, em comparação com um prejuízo ajustado antes do imposto de renda no ano passado”, afirma o executivo.