Em dias de pandemia, as lives se tornaram artifícios obrigatórios para manter vínculos com o público. Celebridades, influenciadores, empresários, youtubers, jornalistas, humoristas, músicos e professores são alguns exemplos de quem usa esse tipo de formato para conversar com suas equipes e públicos. Isso sem contar vídeos postados em redes sociais e redes imagéticas como o Instagram e, mais recentemente, o Tik Tok, que se baseia em pequenos filmes. Afinal, vivemos a era da imagem em movimento, em que todo mundo pode gravar, editar e publicar conteúdos em vídeo.

Mas há quem navegue na contramão e aposte no áudio, puro e simples, no formato podcast. É o que tem feito Peu Santos, criador da fanpage Depressão Universitária, que tem quase um milhão de seguidores no Facebook, além de outros 960 mil no Twitter e 643 mil no Instagram. E a escolha de Peu não é por mero achismo. 

Os podcasts surgiram há menos de 20 anos, tiveram seu momento de grande sucesso quando passaram a ser agregados a serviços como o iTunes. Inclusive, o termo podcast surgiu em 2004, num artigo publicado no jornal britânico The Guardian, que tratava de blogs de áudio. O termo era a fusão de iPod e broadcast.

Apesar de lá fora a audiência do podcast ter seguido uma crescente, por aqui teve seu momento de novidade, caiu e voltou a crescer. Uma das razões foi a inclusão em plataformas de streaming, como o Spotify. Segundo a empresa sueca, cerca de 20% do que foi consumido na plataforma, em 2019, foram podcasts. No Brasil, o consumo desse tipo de conteúdo cresceu 67% no ano passado.
 
REDES SOCIAIS
É fato que as redes sociais estão abarrotadas de vídeos, mas segundo o jornalista Fernando Miragaya, elas também contribuíram para ampliar o alcance dos podcasts. Ele produz conteúdos automotivos por meio deste formato, que apesar de ser um assunto muito relacionado com a imagem, se mostrou viável e com interesse de público. 

“Hoje o podcast tem um forte aliado que são as mídias sociais. O que procurava era sempre destacar mais os atributos mecânicos, equipamentos e posicionamento do carro, de uma forma a estimular a imaginação do ouvinte, que é o que o rádio faz até hoje, e é o seu grande barato”, explica.
 
COMUNIDADE
A base de seguidores de Peu é o nirvana para muitos criadores de conteúdo. Ele atraiu uma multidão por levar para suas redes seus dramas de estudante universitário com humor. No entanto, viu que poderia usar essa abrangência para falar também de questões sociais. 

“Criei a página quando entrei para o curso de direito numa faculdade pública em Montes Claros. Passei em segundo lugar, mas me frustrei com o curso e também vivi um drama pessoal. Minha mãe, que era a pessoa mais forte que eu conheci, foi impactada por uma forte depressão. Daí surgiram os ingredientes para criar a página. Era lá que fazia meus desabafos, e acabei atraindo pessoas que se identificavam com minha experiência. Mas busquei o humor e também questões sociais, como ajudar seguidores a conseguir escolas, e outras ações que poderiam ajudar as pessoas”, afirma. 
 
BOOM
Os memes atraíram a atenção de famosos, que passaram a compartilhar seus conteúdos. Cantores sertanejos, atores, um monte de gente conhecida, passou a interagir com as postagens de Peu, o que ampliou sua rede.

“Eu não fazia ideia do tamanho que a internet tem. Mas acho que isso ocorreu pelo fato de as pessoas se identificarem com o que estou dizendo. Mudou minha vida, e fiz coisa que nunca pensei em fazer, como ter participado do Teleton, em 2018, e ter trabalhado em campanhas publicitárias”, recorda.

No entanto, ele quer fazer com que suas histórias sejam também ouvidas e não apenas lidas. Peu iniciou um projeto de podcasts, que, segundo ele, pode ser mais abrangente que seus memes. 

“Acredito que podcast tenha o mesmo poder de penetração do rádio, pois qualquer um pode ouvir sem precisar parar o que está fazendo. Com o vídeo, é preciso parar e assistir ao conteúdo. É como no rádio, mas você tem a liberdade de escolher o que vai ouvir”, compara o influenciador, que também pretende trabalhar com vídeos no YouTube. Mas agora o foco é o podcast.