O otimismo ainda está distante dos pequenos negócios mineiros. É o que revela levantamento feito pelo Sebrae referente ao mês de março. Com a atividade econômica em baixa no período, principalmente por ter sido uma época de muitas restrições em função da Covid-19, o Índice Sebrae de Confiança dos Pequenos Negócios (Iscon) registrou o pior resultado neste ano: caiu 17 pontos em relação a fevereiro, passando de 109 para 92.

O comércio foi o setor menos confiante (87), uma queda de 23 pontos quando comparado ao mês anterior. O levantamento ouviu 1.330 empreendedores entre 6 e 15 de março. 

A pesquisa confirma que as micro e pequenas empresas do comércio foram as mais afetadas pelas recentes medidas restritivas adotadas para conter o avanço da pandemia no Estado.

“De acordo com o levantamento, 43% desses estabelecimentos estavam sofrendo restrição total ou parcial de funcionamento no período, com impactos significativos no faturamento dos negócios”, explica a analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas, Paola La Guardia.
 
DRIBLANDO A CRISE
No entanto, há aqueles que seguem na contramão do que aponta a pesquisa, despontando em vendas e expandindo o negócio. É o caso de Bruno Nabuco, microempresário da loja Brownie do Bruno. Para ele, o mês de março poderia ter sido bem difícil se não fosse a estratégia que criou para conseguir alavancar as vendas.

“Neste mês de restrições, lancei o programa de fidelidade de criação própria, sem necessidade de apps. Tive um movimento 30% maior, pois a estratégia deu conforto ao cliente para que tivesse acesso aos produtos dentro do próprio WhatsApp. Isso resultou em mais vendas no período”, explica o empreendedor.

Para Bruno, se manter antenado aos desejos do cliente e às ferramentas digitais é fundamental para driblar a crise. “Creio que o segredo para se manter forte no mercado é aplicar técnicas de marketing digital, tecnologia no delivery, ferramentas bem aplicadas, e muito estudo nos assuntos relevantes com a nova era do comércio digital. O lema é: não estacionar e ver com olhos de empreendedor”, ensina.

Tecnologia na receita
No rótulo do brownie e no uniforme usado para entrega do produto há um QR Code que se conecta direto ao WhatsApp da empresa, o que ajuda o cliente a não precisar digitar o telefone. A ferramenta já abre o canal para realizar o pedido.

“Me considero uma pessoa criativa em tecnologia, e por que não criar uma mini startup dentro do meu próprio comércio? Com a experiência em contato com pessoas, indústria, a tecnologia empregada na criação de solução para clientes e amigos, pude desenvolver algo que, com uma simples mensagem, o cliente já tem acesso às informações para realizar a compra, de uma forma direta e sem trabalho”, explica.

CRIATIVIDADE
Quando o microempresário Bruno Nabuco foi trocar o rótulo das embalagens, teve a ideia de verificar o que os clientes escreviam nas avaliações do produto. Palavras como “gostoso”, “cremoso”, “delícia” e “chocolatoso” apareciam repetidamente. E essas avaliações acabaram entrando no novo rótulo, ou seja, são clientes dando a referência sobre o produto.

Ao todo são oferecidos cinco sabores: o tradicional (que não leva recheios), recheado de beijinho (doce de coco fresco), recheado de chocolate crocante (muito parecido ao clássico Diamante Negro), coberto com nozes (original americano) e o brownie duo, recheado com chocolate branco. Os valores variam de R$ 5 a R$ 15.