Quando a Land Rover anunciou o fim do Defender, surgiu um sentimento coletivo de tristeza e saudosismo. Afinal, o jipão despojado era descendente direto do Series I, modelo de 1948 que foi se atualizando até 1985, quando surgiu o Defender que conhecemos. Mas fato é que era preciso evoluir o utilitário, pois seus contemporâneos como Toyota J40 (Bandeirante), Mercedes-Benz Classe G e até o Jeep Wrangler já tinham passado o bastão para sucessores mais modernos. Era hora de evoluir. E o inglês foi além da conta.

A Land Rover acaba de lançar a nova geração do Defender no Brasil. O utilitário deixou de ser raiz, ganhou linhas mais suaves e um pacote farto de tecnologias. No entanto, sem perder a capacidade fora de estrada, como atestam seus executivos. E junto com o banho de loja vem a conta: R$ 400 mil (na versão de entrada).

Pois é, o jipão vendido apenas com a carroceria quatro portas (110) será oferecido em três versões, S, SE e HSE, sendo que a mais cara salta para R$ 461.150. Um valor salgado para encarar pirambeiras, lamaçais e outros terrenos onde a maioria dos SUVs não chegam perto. 

Mas a marca tenta compensar a “garfada” na bolso com um pacote de conteúdo que seria ficção no velho Defender. Ele conta com assistentes de condução como sensor de ponto cego, monitor de tráfego cruzado, ACC, sistema keyless, bancos em couro, ar-condicionado digital de três zonas, sistema de som Meridian (de 400W e 10 alto-falantes), câmera 360 graus, capô transparente (uma câmera frontal com gráfico do eixo exibe o terreno e obstáculos), bancos dianteiros elétricos, faróis Full LED, rodas aro 20, teto solar panorâmico, assim como opção de couro Windsor e faróis do tipo LED Matrix. 

E se o consumidor quiser instalar a terceira fileira de bancos, é preciso desembolsar mais R$ 12.800. Nas demais versões são R$ 17.200. Mas não trata-se apenas de parafusar dois bancos mais no porta-malas. Junto com os assentos, também há a adição da terceira saída de ar-condicionado.

Motor e caixa
Debaixo do capô o Defender também se modernizou. O velho turbodiesel 2.5 deu lugar ao moderno Ingenium P300 turbo 2.0 de 300 cv e 40,8 mkgf de torque, associado a uma transmissão ZF de oito marchas e sistema de tração 4x4 (com diferencial central com travamento ativo), que garante o vigor de outrora para o jipão.

E para quem acha que a unidade pode refugar na trilha pesada, a marca informa que todo torque está disponível a partir de 1.500 rpm. Ou seja, é só relar no pedal e deixar que o brutamontes inglês faça seu trabalho. 

Para o uso fora de estrada essa oferta de torque é certeza de fôlego para encarar terrenos difíceis. Já seus 300 cv também garantem vigor na hora de acelerar no asfalto.
 
Off-road
O Defender é um carro de luxo, mas um jipão linha dura por essência. Sua altura livre do solo é de quase 30 cv, com 38 graus de ângulo de ataque e 40 graus de saída. Além disso, seu sistema de suspensão a ar pode elevar a altura em mais 145 mm. Para os iniciantes, o sistema Terrain Response 2 é capaz de ajustar os parâmetros de condução em terrenos acidentados automaticamente. O sistema identifica as condições do piso e ajusta a distribuição de força.

Mesmo emperiquitado, o Defender segue valente, mas valente mesmo é quem se dispõe a chafurdar R$ 400 mil num lamaçal e depois desafiar as leis de Newton numa pirambeira. O amigo teria coragem?