Na próxima terça-feira, a partir das 22h45, o “MasterChef Brasil” volta às telas sob a égide de uma nova era. Em função da pandemia do novo coronavírus, o programa exibido pela Band passa por adaptações, calcadas nos cuidados higiênicos e de distanciamento mínimo para evitar contágio. O mesmo acontece com parte do próximo “Top Chef” (estreia na quarta e retomará o processo de gravações ainda neste mês) e também com “A Fazenda 12” (em que a plateia ficará dentro de bolhas espalhadas pelo cenário), ambos da Record.

Os cuidados se fazem necessários, como atesta Arthur Guedes, mestre e doutorando em Comunicação pela UFMG, especializado em reality shows. No entanto, ainda é cedo para falar dos impactos sobre os programas, de uma maneira geral.

“Sem dúvida alguma, (as modificações provocadas pelo isolamento social) prejudicam a maneira de produzir os programas. De fato, é preciso muito mais cuidado, diminuir equipe, aumentar os cuidados com higienização, uso de máscaras, saber como higienizam as coisas que chegam às pessoas confinadas... Em ‘A Fazenda’ e ‘BBB’, por exemplo, isso tudo muda”, destaca.

Na verdade, antes de ‘MasterChef’, outros realities já vinham promovendo modificações em sua fórmula. “Estava vendo um reality show de drags, que está sendo todo transmitido pelo YouTube e é todo brasileiro. A premissa dele é que todas as participantes têm que fazer produções, as provas, tudo de forma remota, em suas respectivas casas”.  
 
Público
Indagado se a quarentena pode influenciar e ou já ter influenciado o perfil do consumidor de realities, vez que o isolamento social fez com que grande parte dos brasileiros passassem a maior parte do tempo em casa, o especialista acredita que “não necessariamente isso aconteça”. 

“Até porque, uma das coisas que sempre falei na última edição do BBB é que as pessoas se vinculavam não necessariamente ao programa e nem sempre a um personagem, mas às temáticas abordadas”, salienta ele, lembrando que quando os primeiros casos de coronavírus foram divulgados no Brasil, o Big Brother ainda estava sendo realizado.

“No BBB 20 a gente teve questões como machismo, racismo, homofobia, que sempre atravessaram o programa, mas isso atraiu ou afastou pessoas de assistir. O perfil do público não muda. Acho que abrange mais possibilidades de pessoas se engajarem em torno daquilo, mas não necessariamente muda (o perfil da pessoa que consome aquele programa)”, analisa.

Realities impulsionaram debates, ampliados neste período. “Grande exemplo desse ponto foi o embate entre Manu Gavassi e Felipe Prior, no BBB. Ali deu origem a um embate entre pessoas que apoiavam comportamentos machistas do Prior e as que queriam combater isso por meio do apoio à Manu”.