Depois de praticamente dois anos amargando prejuízos gerados pela pandemia da Covid-19, com vários estabelecimentos tendo que fechar definitivamente as portas, o comércio varejista brasileiro deve ter um 2022 mais farto. Um dos fatores que vai ajudar nessa recuperação é o número menor de feriados prolongados no próximo ano.

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que dos nove feriados nacionais, dois vão cair em domingos: Dia do Trabalhador (1º de maio) e Natal (25 de dezembro). A projeção é que as perdas no comércio com feriados sejam 22% menores em 2022, em comparação a 2021.

“Isso faz com que o comércio não incorra em um custo de operação maior”, avalia o economista da CNC, Fabio Bentes, responsável pelo levantamento.  

“Se houver uma compensação pelo trabalho no feriado, na semana subsequente o comércio é obrigado a pagar hora trabalhada em dobro”, explica. Com sete feriados caindo em dias úteis e em sábados, dia de meio expediente no setor, o peso vai ser menor.

“Deve ser o menor prejuízo com feriados desde 2014, quando o comércio teve seis feriados caindo em dias úteis. Então, a principal razão para esse prejuízo menor é o custo menor da folha no dia trabalhado durante o feriado e a perda daquelas vendas casuais que, de alguma forma, acaba atrapalhando um pouco. Quanto mais feriados você tem caindo de segunda-feira a sábado, maior tende a ser o prejuízo do varejo”, informou o economista.
 
MONTES CLAROS
Com o número de feriados prolongados reduzido, o comércio fica mais tempo aberto, o que favorece as vendas. Essa é a análise do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira.

“Tem muita demanda reprimida. Com menos feriados, teremos mais dias úteis para trabalhar”, afirma o dirigente, que ressalta: “estamos otimistas para 2022. Acreditamos que será um ano de recuperação”.

A ampliação do público vacinado contra a Covid-19 deixa o comércio mais seguro, na opinião de Ernandes. “A expectativa é a de que os números da doença não aumentem para que as lojas continuem abertas”, diz.

Ernandes cita ainda outros dois motivos para que o setor alimente boas expectativas: o pagamento em dia dos servidores do Estado e o Auxílio Brasil. “Isso fomenta o comércio local”.

E fortalecer o setor em Montes Claros está entre as principais ações da CDL em 2022. “Vamos conscientizar a população para a necessidade de prestigiar o comércio e o serviço locais. Isso gera mais renda e mais emprego para a cidade”, destaca Ernandes.

Segundo ele, a CDL está em campanha pela valorização local e vai ainda investir na qualificação, tanto do empresário quanto do trabalhador. “Eles precisam atender bem, serem inovadores, trabalharem vários canais de venda – digital e físico – para que o consumidor tenha suas expectativas superadas”, diz o presidente.
 
EFEITO CALENDÁRIO
De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o comércio varejista sofreu um prejuízo de R$ 22,11 bilhões em 2021, com os nove feriados nacionais caindo em dias úteis ou em dias ponte, como terça-feira e quinta-feira.

“Isso foi muito ruim para o comércio, que sofreu uma das maiores perdas da série histórica”. Para 2022, a previsão é a de que as perdas fiquem em torno de R$ 17,25 bilhões. “No ano que vem, acontece o inverso. O efeito calendário vai jogar alguns feriados para domingo, onde o comércio em sua maioria está fechado, e alguns aos sábados, onde o expediente é reduzido”.

Esse prejuízo, segundo Fabio Bentes, geralmente é maior nos segmentos altamente empregadores, como hiper e supermercados, que terão R$ 3,33 bilhões de prejuízo, do total de R$ 17,25 bilhões projetados.

“Esse é o maior empregador do comércio”. Em segundo lugar, vem o segmento de vestuário e calçados, cuja perda deverá atingir R$ 2,83 bilhões. O terceiro maior prejuízo deve ser observado no comércio automotivo que, embora não seja tão grande empregador, tem o salário médio maior do que a média do varejo. O prejuízo nesse segmento deverá alcançar R$ 2,63 bilhões.

“O trabalho durante um feriado ali acaba impactando a rentabilidade, a lucratividade do comércio”. Juntos, esses três segmentos concentram 55% das folhas de pagamento do comércio varejista brasileiro, respondendo por mais da metade (51%) das perdas.

Atualmente, o calendário conta com nove feriados nacionais: Dia da Confraternização Universal (1º de janeiro), Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa), Tiradentes (21 de abril), Dia do Trabalhador (1º de maio), Independência do Brasil (7 de setembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Dia de Finados (2 de novembro), Proclamação da República (15 de novembro) e Natal (25 de dezembro). Carnaval e Corpus Christi são considerados dias de ponto facultativo. Em 2021, excetuando o Dia do Trabalhador e Natal (ambos celebrados em sábados, dia de expediente reduzido no varejo), os demais feriados nacionais ocorreram em dias úteis para o comércio, impactando a rentabilidade do setor. Em 2022, as duas datas cairão em domingos e o Dia da Confraternização Universal será em um sábado, reduzindo a sete o número de feriados em dias úteis. De acordo com a CNC, cada feriado em dia útil gera um prejuízo R$ 2,46 bilhões ao varejo, reduzindo a rentabilidade anual média do setor comercial como um todo em 1,29%. Considerando todas as atividades econômicas, o feriado nacional provoca impacto de R$ 10,12 bilhões na geração do Produto Interno Bruto (PIB), ou o equivalente a 0,12% do PIB anualizado. Desse modo, a CNC avaliou que os feriados de 2022 deverão impactar o excedente operacional do comércio (lucro líquido) em 9%.

*Com Agência Brasil e Márcia Vieira