O pagamento da segunda parcela do 13º salário, que deve ser quitada até o próximo dia 18, pode ser uma saída para que muitos brasileiros possam usar este recurso extra para pagar dívidas, criar uma reserva de emergência e equilibrar a vida financeira. 

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 30% dos entrevistados pretendem economizar o recurso e outros 21% vão usar o 13º para quitar dívidas. 

No entanto, antes de tomar qualquer decisão, é preciso ter cautela e planejamento. A professora de economia das Faculdades Promove, Mafalda Ruivo Valente, explica que o primeiro passo a ser dado é analisar se o 13º é suficiente para pagar todas as dívidas existentes. Se não for possível, é preciso escolher a que tem maior impacto financeiro e, depois disso, partir para a negociação. “Tem que negociar para usar o recurso com inteligência, tentar aproveitar ao máximo para ser uma solução para o maior número de dívidas que tiver”.

Outra alternativa para uso do 13º para conseguir ter uma boa saúde financeira é reservar parte do dinheiro extra para pagar as contas do início do ano, como o IPTU, IPVA, lista de materiais escolares e matrículas que chegarão em janeiro. Para o consultor financeiro Paulo Vieira, a medida pode ajudar, e muito, a trazer mais tranquilidade para o início do ano. “São contas que vêm e que normalmente nós sempre parcelamos. Só que isso traz impacto na capacidade financeira para os meses seguintes”, explica Vieira.

Guardar um pouco do dinheiro é outra indicação feita pelos especialistas como o melhor destino do 13º. Mafalda Ruivo Valente explica que é preciso conhecer as opções de investimento e, se possível, procurar um especialista para orientar qual o melhor local para se guardar a reserva. 

“É preciso fazer um investimento que você, no momento em que vá dormir, não fique preocupado em perder tudo o que investiu. Às vezes, é melhor ser mais conservador e ganhar menos do que apostar tudo em um investimento e perder lá na frente”, afirma a economista.

Mas será que não dá para reservar nem um pouco dos recursos para um mimo no Natal depois de um ano tão difícil? A analista de Marketing Jéssica Almeida é parte dos 51% dos brasileiros mostrados pela pesquisa da CNDL que vão usar o 13º para quitar dívidas e economizar. Com a primeira parcela do salário extra, ela negociou dívidas que se arrastavam durante todo o ano. E, agora, com o que vai receber nos próximos dias, vai usar metade para a velha poupança e a outra metade da reserva para contas do início do ano e alguns presentes para ela e para os familiares.

“Vou ser econômica na hora de comprar. Já usei o 13º várias vezes para gastar tudo com presentes, mas este ano fiz diferente. Primeiro, priorizei sanar as dívidas, economizar um pouco e somente depois gastar. E acho que fiz a melhor escolha”, acredita.