A onda da eletrificação dos automóveis se intensificou nos últimos dez anos. Modelos como Nissan Leaf, Toyota Mirai, Renault Twizy e BMW i3 emergiram num tom laboratorial que se converteu em realidade. Hoje, a eletrificação já deixou de ser uma experimentação e se tornou realidade. Mas uma realidade abastada. Porsche Taycan, Audi e-tron, Tesla S, que são modelos refinados e exageradamente caros. 

No entanto, a indústria viu um caminho para gerar escala e consequentemente valores mais acessíveis. O caminho são os utilitários elétricos. Audi, Mercedes e Ford fizeram suas apostas. E agora chegou a vez da BMW com o iX3, que estreia no final do ano como o primeiro SUV elétrico da marca.

E a BMW foi certeira em escolher seu SUV intermediário para a empreitada. Pois se optasse pelo X5, ele ficaria caro demais. Por outro lado, se fosse aplicado no X1, poderia não despertar o interesse do consumidor que fita nas prateleiras superiores. Assim, o X3 se mostrou perfeito.
 
O CARRO
Visualmente, se diferencia pelos para-choques, rodas e alguns elementos decorativos. No entanto, por debaixo da “casca” ele é bem diferente. Como todo elétrico moderno, as baterias são espalhadas pelo assoalho. Isso se faz necessário para aproveitar melhor o espaço interno, manutenção e também para otimizar a distribuição de peso. São pilhas que garantem autonomia de 460 quilômetros. Segundo a marca, 80% da carga pode ser recuperada em apenas 35 minutos, num ponto de recarga rápida.

Seu motor elétrico gera o equivalente a 286 cv e 40 mkgf de torque. Ele é montado no eixo traseiro. Na parte frontal há um módulo estacionário de geração de corrente. Ele utiliza o movimento das rodas para girar um rotor composto por eletroímãs, que geram campo magnético, que é convertido em eletricidade para as baterias. Foi uma solução inteligente para aproveitar o espaço do antigo cofre do motor. Além disso, essa configuração permite que o iX3 tenha tração traseira, o que faz um BMW ser um BMW.

Em números, o SUV elétrico é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos e atinge velocidade máxima de 180 km/h. O amigo pode questionar que a máxima não impressiona, mas ela foi limitada para garantir a autonomia das baterias. Isso porque, como um elétrico não conta com transmissão com diferentes relações, como um carro a combustão. Há apenas uma única marcha. 

Dessa forma, manter o carro em velocidade elevada reduz a eficiência das baterias, pois é preciso mais energia para sustentar a velocidade. Daí, grande parte dos elétricos não vão além dos 200 km/h para garantir o máximo de autonomia. Infelizmente, não existe banguela para esses carrinhos de pilha.

Suas vendas começam no final do ano. O primeiro mercado a receber o iX3 será o chinês. Posteriormente, será distribuído em outras praças. Aqui no Brasil deverá chegar até 2022, para fazer companhia para o i3.