A pandemia de Covid-19 foi mais uma pedra no caminho das micro e pequenas empresas que já lutavam para se manter no mercado. Para tentar amenizar o quadro o governo federal tem anunciado acesso maior a linhas de crédito. A demanda por socorro é grande e a obtenção dos recursos não tem sido fácil. 

Na semana passada o Congresso aprovou a MP 975/20, que cria um programa emergencial com aporte de até R$ 20 bilhões de garantia da União e complementa o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). 

“Um dos entraves para a retomada é a descapitalização e a falta de capital de giro. Daí a importância de se promover ações como estas. Todavia, estes programas precisam chegar até a ponta, estar acessíveis”, pontua o Presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Montes Claros, Leonardo Vasconcelos.

A busca por acesso ao crédito se reflete no aumento da demanda recebida pela Assessoria ao Crédito e projetos da ACI. Comparando os quatro últimos meses de 2020 com o mesmo período de 2019, o aumento foi de 200%. 

“O setor de serviços e até a indústria foram amplamente atingidos e igualmente impactados em suas operações de caixa, o que justifica esse aumento e a ‘corrida aos bancos’, frisa a Coordenadora de Projetos e Financiamento da ACI, a economista Ivânia Mendes.

Wilma Aparecida da Silva Lopez, no mercado de lingerie há 18 anos, tem “corrido atrás” do crédito. A venda de peças íntimas, de acordo com ela, impossibilita o trabalho delivery, já que nem todas as peças podem ser experimentadas pelas clientes. De acordo com Wilma, mesmo sendo cliente da Caixa Econômica Federal por mais de 20 anos, o acesso ao crédito ainda não aconteceu para ela e o sentimento que fica é de desesperança e abandono.

“O retorno tem sido lento e sofrido. Muitas clientes ainda estão inseguras para irem às ruas, à loja. Mesmo sabendo que tomamos todos os cuidados e seguimos as recomendações. O acesso ao crédito, que podia nos socorrer, é quase impossível”, reclama. “Sempre arrumam ‘porém’. Nós que movimentamos a economia e eu digo: está difícil sobreviver”. 

Rosilene Almeida Silva, no mercado de roupas femininas, também buscou ajuda para não ter que fechar a loja aberta há 24 anos. Felizmente, ela conseguiu os recursos que a permitiram “respirar” até que a situação se normalize.

“A volta não está fácil. Muitas clientes ainda com medo de sair. Estamos nos ‘virando’ com vendas no zap e telefone, mas não é como antes. Por isso, precisei recorrer ao crédito. Levei a documentação, mas Só consegui com a intervenção da ACI. Isso mostra que o acesso ainda é complicado”, afirma.
 
LINHAS DE CRÉDITO
Para quem busca socorro, tanto bancos particulares quanto públicos têm oferecido linhas de crédito. A CEF deu o start, em 16 de junho, seguida pelo BDMG, que abriu o Pronampe para microempresas em 30 de junho e para as de pequeno porte, no último dia 6. O BDMG atua somente com empresas que faturaram até R$ 360 mil e quem conseguir liberar o crédito tem o compromisso de manter o mesmo número de postos de trabalho que havia em 18/05/2020 por no mínimo 60 dias.

Já o Banco do Nordeste tem duas linhas de atuação: O FNE Emergencial, com juros de 2,5% ao ano, para recuperar ou preservar atividades produtivas de empreendedores de municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública, e o FNE Giro, linha regular para aquisição de matéria prima e insumos, além de gastos como folha de pagamento, energia, comunicação etc com taxas a partir de 0,35% ao mês.