Em 11 das 21 edições da Copa do Mundo, o futebol mineiro teve pelo menos um representante. Como essa história começa com Tostão, do Cruzeiro, em 1966, na Inglaterra, a representação aconteceu em 78,5% das últimas 14 edições, com Minas de fora apenas em 1990, 2002, 2006 e 2018. E nunca houve tanta gente convocada como em 1970, quando foi conquistado o tri, que completa 50 anos neste domingo.
 
Além do cruzeirense Tostão, que quatro anos depois voltava ao Mundial, faziam parte do grupo de Zagallo, Piazza e Fontana, também do Cruzeiro, e Dario, do Atlético.
 
E este número poderia ser maior, pois até março de 1970, a Seleção era comandada por João Saldanha e, se ele tivesse comandado o Brasil no México, seriam grandes as chances de os cruzeirenses Zé Carlos e Dirceu Lopes integrarem o grupo.
 
FORÇA
A grande presença do futebol mineiro no time do tri é fruto da força de Cruzeiro e Atlético no final dos anos 1960 e início da década de 1970. A Raposa levantou a Taça Brasil em 1966, acabando com a hegemonia na competição do Santos, de Pelé, que era pentacampeão.
 
Em 1969, o Cruzeiro perdeu o título da Taça de Prata para o Palmeiras por causa de um gol de saldo. Antes disso, neste mesmo ano, três dias após garantir presença na Copa do México, a Seleção Brasileira, ainda comandada por João Saldanha, fez um amistoso contra o Atlético, no Mineirão, e foi derrotada por 2 a 1.
 
Após a Copa do México, o futebol mineiro seguiu em alta. Galo e Raposa disputaram o quadrangular final da última edição da Taça de Prata, em 1970. Em 1971, o Atlético venceu a primeira edição do Campeonato Nacional de Clubes.
 
CAMINHADA
Dos quatro jogadores de clubes mineiros tricampeões no México, Fontana já morreu. Em entrevistas recentes ao Hoje em Dia, os outros três destacaram pontos importantes daquela caminhada. 
 
“Com o João Saldanha eu era titular absoluto, fui artilheiro das Eliminatórias. Meu melhor momento na Seleção. Quando o Zagallo assumiu, no primeiro dia me avisou que eu seria reserva do Pelé, pois eu não era centroavante. Ele convocou Dario e Roberto, do Botafogo, e disse isso à imprensa. Eu estava voltando. Fiquei sete meses sem poder jogar. Fui liberado aos poucos. Posso dizer que corri o risco de ficar fora da Copa”, revelou Tostão.
 
“Foi uma inovação a preparação daquela Seleção. Dez dias, uma semana antes da Copa, a gente estava voando. Tinha jogo que eu achava que nem joguei. Estava acostumado a atuar como volante, a entrega era muito grande, terminava a partida com a camisa encharcada. No México, apesar dos jogos ao meio-dia, parecia que nem tinha suado direito”, recordou o volante Piazza, que jogou como zagueiro.
 
“Eu fiquei no banco de reservas no jogo contra a Romênia. Vivi a expectativa de ser escalado, pois o time já estava classificado para a próxima fase, mas acabei não entrando. De toda forma, é uma honra ter feito parte daquele grupo”, afirmou Dario.
 
Há meio século, o futebol brasileiro encantava o mundo pela sua qualidade. E existem marcas mineiras nesta trajetória da Seleção pelos gramados mexicanos.