O feito do atacante Keno, do Atlético, autor de dois hat-tricks seguidos nas vitórias por 4 a 3, sobre o Atlético-GO, dia 19, em Goiânia, e nos 3 a 1 em cima do Grêmio, no último domingo (27), no Mineirão, jogos pela 11ª e 12ª rodadas da Série A, chamaram a atenção sobre quem já tinha alcançado o feito na competição.

O jornalista Rodolfo Rodrigues, do UOL, no início da semana, apresentou a relação dos jogadores com dois hat-tricks seguidos no Brasileirão, mas a partir de 1971: Bira (Internacional 1982) Chicão (Ponte Preta 1986) Claudinho (Vitória 1993) Dodô (São Paulo 1997) Alex Mineiro (Athletico-PR 2001) Romário (Vasco 2001) Fred (Fluminense 2011).

Ficou a dúvida sobre o início da história da competição, entre 1959 e 1970. Em 2010, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promoveu a unificação dos títulos nacionais.

Assim, quem faturou a Taça Brasil (1959 a 1968), ou a Taça de Prata (1967 a 1970) passou a ser oficialmente vencedor do Campeonato Brasileiro.

Ruiter

Nas fichas disponíveis da Taça Brasil e Taça de Prata – num universo de centenas de jogos, menos de dez não têm registros – foi possível levantar a história dos hat-tricks no Brasileirão entre 1959 e 1970.

E o primeiro jogador a alcançar o feito de marcar pelo menos três gols em dois jogos seguidos foi Ruiter, do Confiança-SE.

Inclusive, há um erro histórico em relação a ele. Praticamente todas as fontes consideram Pelé como artilheiro da Taça Brasil de 1963, com oito gols, mas Ruiter marcou nove vezes pelo Dragão.

O sucesso fez ele ser vendido ao Campinense-PB, depois ao Santa Cruz-PE, de onde saiu para brilhar na França, defendendo Bourdeaux e Monaco.
Além de Ruiter, só mais três jogadores alcançaram a façanha do atleticano Keno entre 1959 e 1970.

O primeiro foi Toninho, do Santos, em 1966, ainda na Taça Brasil. Na Taça de Prata, fizeram dois hat-tricks seguidos Ademar Pantera, do Flamengo, em 1967; e Flávio, do Fluminense, na última edição do torneio, em 1970, quando o Tricolor levantou a taça.

Pelé

Uma marca dos Campeonatos Brasileiros entre 1959 e 1970 foi contarem com a participação do maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé.

Ele nunca alcançou dois hat-tricks seguidos na Taça Brasil ou Taça de Prata, mas é o recordista geral nessa estatística, pois marcou pelo menos três gols em cinco jogos.

Um deles especial, a semifinal da Taça Brasil de 1963, contra o Grêmio, em 19 de janeiro de 1964, no Pacaembu. Os 4 a 3 santistas tiveram três gols de Pelé, que terminou o jogo no gol por causa da expulsão do goleiro Gilmar.

O primeiro hat-trik no Brasileirão unificado foi de Duílio, do Coritiba, que marcou quatro vezes nos 5 a 0 sobre o Paula Ramos-SC, em 28 de agosto de 1960, em Curitiba.

Mineiros

O primeiro hat-trick mineiro no Campeonato Brasileiro unificado, entre 1959 e 1970, foi para lá de especial. Na goleada de 6 a 2 do Cruzeiro sobre o Santos, no Mineirão, na primeira partida da decisão da Taça Brasil de 1966, o meia-atacante Dirceu Lopes balançou três vezes a rede do goleiro Gilmar, bicampeão do mundo com a Seleção Brasileira, como titular absoluto, em 1958 e 1962.

A partir daí, só atleticanos conseguiram hat-tricks na competição. O primeiro deles foi o ponta-de-lança Lacy, autor de três gols num 5 a 1 do Atlético sobre o Goytacaz, de Campos, no Mineirão, pela semifinal do Grupo Centro, que depois o Galo conquistou, na moedinha, em cima do Botafogo.

No Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Taça de Prata, saiu o hat-trick mais inesquecível de um atleticano neste período entre 1959 e 1970. Em 15 de outubro de 1969, o Atlético fez 3 a 1 no Flamengo, no Maracanã, com três gols de Lola.

O último personagem dessa história só podia ser o goleador Dario, que balançou a rede do Bahia três vezes nos 3 a 1 do Galo, em 25 de outubro de 1969, no Mineirão.