A grave crise política, financeira e moral do Cruzeiro e o rebaixamento para a Série B do Brasileiro pareciam ser o “fundo do poço” da Raposa. Com a entrada do Conselho de Notáveis, que se metamorfoseou em Núcleo Dirigente Transitório, a esperança de tirar a Raposa do limbo renasceu. Só que os principais candidatos ao título de “salvador” estão abandonando o barco, por conflitos internos, por não concordarem com algumas diretrizes ou mesmo por detectarem que exista algo abaixo do “fundo do poço”.

Depois da saída de Wagner Pires de Sá e seus “comparsas”, o nome de Pedro Lourenço, dos Supermercados BH, emergiu como “salvador”, como ansiavam muitos torcedores do Cruzeiro. Acabou nomeado vice-presidente de futebol e teve papel importante em trazer Alexandre Mattos, que ajudaria o clube por 60 dias, neste início de ano.

Além deles, Vittorio Medioli, do grupo Sada e então CEO da Raposa, também apareceu como “solução” por parte da torcida. Aqueles que apostaram suas fichas nessa trinca se mostraram incrédulos com os desdobramentos dos últimos dias.

Medioli debandou no domingo passado. Além de criticar o estatuto do clube, ele não concebeu algumas decisões da agremiação nos bastidores. Algo semelhante se deu com Pedro Lourenço, que deixou o Conselho Gestor nessa quinta-feira.

“Não compactuo com tamanhas incoerências na gestão, no estatuto, nos salários absurdos, entre outras situações, que promovem um ambiente hostil e desfavorecem as mudanças emergenciais necessárias”, disse ele, em nota oficial. Mattos, por sua vez, por lealdade a Lourenço, também decidiu sair.

Outras mudanças podem acontecer nos próximos dias, tanto no profissional quanto nas categorias de base.

Atualmente, as cabeças-pensantes da Raposa são o presidente interino, Dalai Rocha, o presidente do Núcleo Dirigente Transitório, Saulo Fróes, e o diretor de futebol, Ocimar Bolicenho.

Bolicenho, aliás, mesmo neste começo de sua saga no clube celeste, começa a ser criticado nas redes sociais por conta do trabalho desempenhado na campanha pífia do Londrina, sua ex-equipe, rebaixada à Série C em 2019. Nesse turbilhão, ainda é necessário definir a situação de vários atletas, com altos salários.

Enquanto isso, a torcida segue fazendo sua parte, comprando as novas camisas e reiterando apoio nesse momento conturbado. Mas quer uma resposta à altura vinda da diretoria.