O departamento de futebol do Cruzeiro calcula em pelo menos R$ 60 milhões o prejuízo que o clube sofreu com a perda de direitos econômicos de jogadores que conseguiram a liberação com ações na Justiça pela falta de pagamento de salários e direitos trabalhistas por pelo menos 60 dias.

Este valor é mais que o dobro da dívida urgente da Raposa com clubes que recorreram à Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) para receber.

O Cruzeiro tem que pagar até o final de maio R$ 29 milhões. A dívida total na entidade chega aos R$ 80 milhões, mas como alguns clubes aceitaram uma negociação, recebendo o valor parcelado, numa espécie de condomínio de credores, o valor que o clube deixou de arrecadar com a venda de atletas como Rafael (goleiro), Fabrício Bruno (zagueiro), Ederson (volante) e David (atacante) seria suficiente para praticamente colocar a vida com a Fifa em dia.

O grave das dívidas que têm pagamento determinado pela entidade máxima do futebol é que a não quitação determina perda de pontos na principal competição nacional que disputa ou até mesmo o rebaixamento nesses torneios.

Os R$ 60 milhões perdidos via Justiça do Trabalho é uma conta feita pelo departamento de futebol do próprio Cruzeiro. “Nós perdemos um ativo muito grande com a saída de jogadores, muitos deles jovens, com bom mercado, mas que ficaram livres por não terem recebido seus direitos trabalhistas”, revela Carlos Ferreira, responsável pelo futebol dentro do Núcleo Dirigente Transitório.

PUNIÇÃO
Na última quarta-feira (22), o Hoje em Dia publicou que a Comissão de Ética do Conselho Deliberativo enviou documento digital a Wagner Pires de Sá e seu vice, Hermínio Lemos, pedindo explicações sobre a falta de pagamento de salários e direitos trabalhistas de jogadores, o que provocou a perda dos direitos econômicos de vários atletas.

O processo, segundo um integrante da Comissão de Ética, dependendo do resultado, pode decretar a expulsão dos dois do Conselho Deliberativo.