A temporada de 2003, a maior da história do Cruzeiro, quando o clube venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e a primeira edição da Série A por pontos corridos, está marcada para sempre. Acima do escudo, em ação referendada pelo Conselho Deliberativo e que consta no Estatuto, está uma coroa, simbolizando a Tríplice Coroa.

Qual a relação do feito celeste, há 16 anos, com o jogo entre Flamengo e Grêmio, hoje, às 21h30, no Maracanã, pelas semifinais da Copa Libertadores? É que o feito cruzeirense está em risco, pois o rubro-negro carioca tem a chance de alcançar em 2019 uma Tríplice Coroa superior à cruzeirense.

O Flamengo já ganhou em 2019 o Carioca. Na Série A, tem dez pontos de frente sobre o segundo colocado Palmeiras. A vantagem é tão grande, que o site Probabilidades no Futebol, mantido pelo Departamento de Matemática da UFMG, calcula em 97,2% as chances de o time da Gávea erguer a taça do Brasileirão. Os palmeirenses têm 2,1%.

A Copa Libertadores aparece como o terceiro título possível do Flamengo na temporada de 2019.

Ganhar três títulos oficiais num ano não é um feito inédito do Cruzeiro. O Santos, em 1962 e 1963, por exemplo, venceu quatro (veja arte ao lado). Em 1964, ganhou mais três. O próprio Flamengo já alcançou essa façanha, em 1981, assim como São Paulo (1992 e 2005), Palmeiras (1993) e Grêmio (1996).

Mas a Tríplice Coroa cruzeirense é a única que inclui um Brasileirão por pontos corridos. Agora, o Flamengo tem a chance de alcançar a sua. E colocando uma Libertadores no lugar da Copa do Brasil, algo que tornaria seu feito maior, por causa da hierarquia dos torneios.
 
VANTAGEM
Com o empate por 1 a 1, na ida das semifinais da principal competição sul-americana de clubes, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, no último dia 2 de outubro, o Flamengo, além do mando de campo, tem a vantagem de se classificar para a decisão com um empate por 0 a 0.

Se acontecer outro 1 a 1, o classificado será conhecido nos pênaltis. Empate com o placar a partir de 2 a 2 garante a vaga aos gremistas. Isso porque na Copa Libertadores, o gol marcado fora de casa é critério de desempate.

A primeira final em jogo único da Libertadores será disputada neste ano. Marcada para 23 de novembro ela terá o Estádio Nacional, em Santiago, como sede.

Apesar da onda de protestos na capital chilena nos últimos dias, com ação violenta da polícia contra os manifestantes, as autoridades do país garantem que o jogo está mantido. Mas o Campeonato Chileno foi paralisado até que se tenha uma situação mais tranquila no Chile.

Luta contra queda faz cruzeirense ser Grêmio
Além da defesa da Tríplice Coroa, há outro motivo para a torcida cruzeirense ser pelo Grêmio no jogo de hoje. É que a classificação do tricolor gaúcho à decisão da Libertadores é mais vantajosa para o Cruzeiro pensando na sua briga contra o rebaixamento na Série A.

Isso porque na penúltima rodada, em 4 de dezembro, o Cruzeiro encara o Grêmio, em Porto Alegre. Se isso acontecer com o time gaúcho campeão da América e já garantido na Libertadores 2020, a motivação será outra.

Outro ponto é que na última rodada, a Raposa recebe o Palmeiras no Mineirão. Se deixar a Libertadores nas semifinais, o Flamengo terá apenas o Brasileiro para disputar e a tendência é que garanta o título com antecedência, transformando o jogo de 8 de dezembro, no Gigante da Pampulha, num “amistoso” para o time de Mano Menezes, que já deve ter garantido a presença na fase de grupos da Libertadores do ano que vem.

Além disso, em 27 de novembro, pela 35ª rodada da Série A, o Flamengo recebe no Maracanã o Ceará, concorrente direto do Cruzeiro na luta contra a queda.

O jogo acontece quatro dias após a final da Libertadores, em Santiago. Em caso de conquista rubro-negra, será o jogo da festa, com o time ainda de “ressaca” pela comemoração.

São vários os fatores que fazem do cruzeirense um gremista nesta quarta-feira.