“Estou fazendo terapia para conseguir deixar o América”. Dos recém-completados 65 anos de vida, 35 são dedicados ao Coelho. Em uma trajetória que se confunde com a história do Alviverde, Marcus Salum se prepara para uma despedida que, ele garante, não ser definitiva.

Após uma temporada marcante para o América, com direito à inédita semifinal da Copa do Brasil e ao acesso à Série A do Brasileiro, Salum vai deixar a presidência do clube pela quarta vez, em 28 de fevereiro, por opção própria.

Nessa entrevista, ele fala sobre o assunto e detalhes do planejamento para a temporada.
 
Sua saída da presidência vai ser um adeus ou um até logo ao América? 
Só as pessoas que estão perto de mim sabem do meu sofrimento em ter que dar uma afastada (do América). É como você ‘despregar’ de uma coisa que está na pele. É muito difícil, mas tomei uma decisão, que é muito sensata. A única decisão que tomei, por enquanto, foi a de não ser candidato. Logicamente, ao não ser candidato, vou ter que me afastar um pouco, que é o que preciso agora. Eu tenho um tripé, que sempre me direcionou: saúde, família e negócios. E nunca esse tripé esteve tão desequilibrado. Chego em casa, vou ver jogo, analisar jogador, ler livros de futebol... Minha cabeça está sempre ligada. Na minha cabeça, penso que tem hora que não podemos abusar muito disso. Está na hora de dar uma descansada. Não é um adeus. Eu acredito muito no projeto clube-empresa. O Alencar (da Silveira Júnior) vai entrar, ele sabe desse projeto, o qual deposito muitas fichas. Espero que consigamos fazê-lo.
 
Como vai ser sua participação no América a partir de março? 
O que estou planejando: vai entrar uma gestão, uma gestão de um grupo só, com pessoas com quem temos ligações. Não vou ao CT, não vou assistir ao Campeonato Mineiro, não vou ficar frequentando a sede. Eu tenho um escritório fácil, perto de todo mundo. Todo mundo sabe onde é meu escritório, minha casa. Em todas as vezes que o América precisar de mim, que ele se pronuncie. Que fale: “Salum, estamos precisando disso ou daquilo. Salum, estou precisando de uma opinião de futebol”. Vem cá que nós vamos conversar. Eu não quero ser responsável por nada, não vou ser a pessoa que vai procurar o América. Empresto ao América meu conhecimento, se o América o quiser. Não vou ficar cutucando o América. Eu dirijo futebol há muitos anos e sei que esse movimento incomoda muito, te dá uma instabilidade.
 
Qual será o orçamento do América para a Série A? 
Eu calculo que o orçamento do América seja em torno de R$ 65 milhões (no ano), dos quais o América deve gastar perto de 50% com o futebol. Não é só a folha salarial, tem viagens, outras despesas. O que eu acho pouco. É um desafio grande para nós da diretoria. Cabe a nós agora ter competência para arrumar mais dinheiro.
 
O clube tem contratações encaminhadas? Chegarão mais novidades para o Campeonato Mineiro? 
Sim. Espero, antes de sair, fechar com mais uns dois nomes. No máximo, três.
 
A torcida pode esperar um nome de peso para a Série A? 
Todos os nomes que estamos olhando têm potencial de Série A. Uma grande estrela não está nos meus planos. Isso deixo para o Alencar tomar essa decisão depois. Mas, o que estamos fazendo é estruturando o plantel, com um trabalho extremamente organizado, sob a batuta do Lisca, com nosso acompanhamento. Pensamos em um lateral para cada lado; e do meio para frente, um jogador de meio e mais um ou dois atacantes. Isso, para o América começar o ano. O que também é uma reposição para os atletas que saíram.
 
O que o América representa para sua vida? 
É difícil responder a essa pergunta. O América virou uma paixão tão grande na minha família que eu estou fazendo terapia para poder largar o clube e cuidar das minhas coisas. Para você ver o tamanho e a dimensão do América na minha vida. O América é uma paixão, passada pelo meu pai para toda a família. Eu não me lembro de nenhum dia da minha vida em que o América não fizesse parte.