A espera foi longa, tanto para Rebeca Andrade como para a ginástica artística feminina brasileira. Mas, enfim, as mulheres conquistaram a primeira medalha da modalidade em Jogos Olímpicos, justamente na prova que premia a atleta mais completa: o individual geral.

Com 57.298 pontos, ao som de “Baile de Favela”, a ginasta de 22 anos construiu um desfecho perfeito para sua trajetória olímpica após ter passado por três cirurgias no joelho. Até agora, porque ela ainda irá participar das finais do salto, no dia 1º, e do solo, no dia 2.

Rebeca começou a rotação em um de seus melhores aparelhos, o salto: 15.300, a mais alta pontuação. Depois, vieram as barras assimétricas e a trave, que, na teoria, são aqueles em que a ginasta soma menos pontos (14.666 e 13.666, respectivamente). Mas foram suficientes para garantir a brasileira na briga por medalhas. E, para fechar, faltava o solo. Ao som do já tradicional “Baile de Favela”, Rebeca somou 13.666 após pisar duas vezes para fora do tablado.
 
NOTA
Rebeca terminou sua participação não muito empolgada, mas mudou a fisionomia quando recebeu a nota e percebeu que era suficiente para a prata. Depois de Rebeca, só restava a americana Jade Carey para se apresentar, e ela não conseguiu pontos suficientes para alterar o pódio que teve a campeã Sunisa Lee, dos Estados Unidos, com 57.433, e Angelina Melnikova, do COR (Comitê Olímpico Russo), com 57.199, que foi bronze.

“Minha mãe está muito emocionada. Ela acompanhou todo o processo. Ela está mais orgulhosa desse momento. Eu estou feliz demais. Eu passei por muita coisa e coloquei esses Jogos como objetivo, mas o meu objetivo aqui era fazer o meu melhor, era brilhar, e eu acho que eu brilhei: consegui a nossa primeira medalha olímpica em ginástica artística feminina”, afirmou a medalhista.

Os melhores resultados da ginástica feminina do Brasil até então eram os quintos lugares de Daiane dos Santos (solo), em Atenas 2004, e de Flavia Saraiva (trave), no Rio 2016.