Se tornar jogador de futebol no Brasil é algo difícil, tendo em vista que o “vestibular” para a modalidade depende de variáveis que não só o talento do jovem, mas também a força nos bastidores por parte de empresários. Se alcançar o primeiro contrato profissional dentro dessa perspectiva já é um prêmio, chegar a um clube da grandeza do Cruzeiro é outro salto grandioso na carreira. 

Algo que será experimentado agora por Claudinho, meia-atacante que se destacou na Ferroviária-SP e foi contratado pela Raposa. Com apenas 19 anos, o menino tímido nascido na pequena Lupércio, cidade do interior paulista, chega para ser lapidado. 

“Bom demais estar aqui vestindo essa camisa, ainda mais para mim que vim lá de baixo. Estar aqui, realizando um sonho de criança, vou trabalhar muito para fazer história. Vim de uma cidadezinha chamada Lupércio, no interiorzinho de São Paulo, fica próxima de Marília. As coisas lá não eram muito fáceis. É difícil acreditar que um jogador venha de uma cidade pequena. Lá eu não tinha muito suporte, mas conheci um treinador, ele me levou para o Noroeste, e de lá minha vida encaminhou tudo certo”, contou.

O Cruzeiro contou com ajuda de um investidor para contratar Claudinho, que custou cerca de R$ 3 milhões aos cofres azuis. O clube adquiriu 70% dos direitos econômicos do meia-atacante, que demonstrou enorme ansiedade em sua chegada à Toca II. 
 
PREPARADO
Claudinho já participou de atividades na Toca II e teve o primeiro contato com o técnico Enderson Moreira e a comissão técnica do Cruzeiro. o jogador não vê a hora de estar 100% adaptado e pronto para jogar, assim que o futebol for retomado após paralisação pela pandemia do coronavírus. 

“Estou bem fisicamente para treinar, na Ferroviária eu já estava treinando. Agora é esperar o que falarão para mim e em breve estarei trabalhando com o grupo. que me fez vir para cá foi o desafio, ajudar esse time grande a voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído”, garantiu o meia-atacante.

Ex-treinador destaca virtudes e prevê alegrias à torcida
Com 1,66m de altura, Claudinho é o jogador que “rabisca o campo” e vai tentar escrever sua história no Cruzeiro com boa performance e criação de jogadas. 

E ninguém melhor do que Sérgio Soares, técnico responsável por subir o jogador da base para o time principal da Ferroviária-SP, para apresentar o novo reforço celeste e falar de seu potencial. 

“Vejo com muito bons olhos a ida do Claudinho para o Cruzeiro, era mesmo o momento de topar um desafio. A torcida do Cruzeiro é exigente, cobra jogador renomado, mas os torcedores sabem do momento do clube, de construção. E nesse momento você precisa ter jogadores com qualidade, vontade de crescer. O Claudinho tem esse perfil”. 

“O Claudinho é mais agressivo e, estimulado, tem qualidade para fazer muita coisa. Dentro do futebol brasileiro não vejo jogadores com essa característica. Ele é um ‘mosca branca’, tem qualidade, tem drible, tem enfrentamento um contra um. Apresentou mais dificuldade com o cabeceio, até pela questão da estatura, mas era algo que trabalhávamos para melhorar. Ele meia-atacante, não é armador. Não é o cara para jogar de costas, é aquele que faz trabalho do meio para frente com a bola dominada. Tem qualidade para fazer pivô, mas não é um nove. Como eu disse, balança na frente do adversário e ganha espaço para ir à frente, é o cara que vai mais próximo do atacante, mais próximo do nove. Poderia ser, quem sabe, um segundo atacante”, prossegue Soares. 
 
POTENCIAL
Elogiado pelo treinador celeste, Enderson viu seus elogios corroborarem o pensamento do antigo técnico de Claudinho. “O Enderson Moreira veio da base, sabe aproveitar bem os jogadores mais novos. E o Claudinho é essa peça a ser lapidada. Tem a característica boa para jogar com a camisa pesada que é a do Cruzeiro. Se tiver apoio, confiança, acredito que a torcida vai gritar muito rápido o nome dele”, garantiu Soares.