O esporte foi a libertação e o estímulo que o montes-clarense Luiz Gustavo precisava para tocar a vida após um acidente de trânsito que o deixou paraplégico. Aos 25 anos – dois após a nova realidade –, ele já subiu ao pódio em vários campeonatos disputados e alimenta um sonho: participar de uma paralimpíada representando o Brasil.

O esporte sempre esteve presente na vida do jovem, que era muito ativo, praticando atividades físicas. Após o acidente, o esporte o ajudou a superar as dificuldades e acabou se tornando profissão.

Luiz conta que viu um vídeo de um rapaz andando de handbike, que é um veículo de propulsão humana que normalmente tem três rodas (uma dianteira e duas traseiras) e é impulsionada por um sistema de transmissão que recebe energia dos membros superiores de uma pessoa. Normalmente é utilizado por pessoas com deficiências nos membros inferiores ou na coluna.

“O esporte foi fundamental na minha vida. Passar a praticar a handbike me proporcionou uma qualidade de vida melhor, mais saúde e novas amizades”, diz.

Luiz Gustavo já participou de quatro campeonatos, mas sempre precisando recorrer à ajuda financeira de outras pessoas, principalmente para os que foram fora de Minas Gerais.

“Para esses, fiz uma ‘vaquinha’ nas redes sociais para custear o combustível e alimentação. Recebi também ajuda de familiares e amigos. É muito difícil conseguir patrocínio de empresas. O esporte não é tão reconhecido em nossa cidade”, lamenta Luiz Gustavo.
 
MEDALHAS
Dos quatro campeonatos disputados, o atleta conquistou dois primeiros lugares. O primeiro foi o “Valmirogomes”, em Nova Esperança. O segundo foi o Mineiro, em Montes Claros.

Logo em seguida veio a Copa Brasil em Leme (SP), onde conquistou o quarto lugar na prova de CRI (contrarrelógio ) e o 6° lugar na prova de estrada. Nessas competições, Luiz estava entre atletas de alto rendimento, que usavam handbikes super equipadas.

A última prova disputada foi nos dias 11 e 12 de dezembro – Campeonato Brasileiro em Brasília. O montes-clarense ficou em sexto lugar na prova de CRI e em sétimo na prova de estrada, concorrendo com paratletas profissionais e experientes.

“Estar inserido na handbike para mim, hoje, é qualidade de vida. É uma questão de liberdade, pois proporciona para nós, deficientes, a possibilidade de sair de casa e ver o mundo”, diz Luiz Gustavo.

O paratleta ressalta que os deficientes são iguais a todas as pessoas e, mesmo com as limitações, conseguem fazer coisas que pessoas normais não conseguiriam.

“A partir desse último campeonato brasileiro, o foco é treinar e ir atrás do meu sonho, que é disputar uma paraolimpíada e incentivar as pessoas a irem atrás de seus objetivos e sonhos”, diz.
 
FORÇA DE VONTADE
Luiz Gustavo conta que há duas frases de autor desconhecido que ele diz que sempre carrego com ele: “nunca sabemos o quão forte somos até que ser forte seja a única escolha” e “10 por cento é o que acontece e 90 por cento é como você reage ao que acontece”.

Em 2022, Luiz Gustavo irá representar a Associação das Pessoas com Deficiência de Montes Claros (Ademoc) em campeonatos de paraciclismo pelo Brasil.