Estádios vazios, mas arrecadações muito acima da realidade brasileira têm sido a maior marca da Copa América de 2019 após a disputa da primeira rodada da fase de grupos. Essa etapa foi encerrada na última segunda-feira com a goleada de 4 a 0 do Chile sobre o Japão, no Morumbi, que recebeu pouco mais de 23 mil pagantes, mas somou uma renda de quase R$ 5 milhões, pois o tíquete médio foi de cerca de R$ 200.

Trazendo para a nossa realidade, e a maior delas é a Série A, competição que os 20 maiores clubes do país disputam na maior parte da temporada, a comparação dos preços praticados na Copa América com o Brasileirão mostra porque o torneio tem o fracasso de público, dividindo a atenção com os feitos alcançados dentro de campo pelos craques.

Nas 89 partidas já disputadas no Campeonato Brasileiro, que foi interrompido para a disputa da Copa América, o tíquete médio é de R$ 32,61. No torneio de seleções promovido pela Conmebol, o torcedor pagou, em média, R$ 288 considerando-se o público e renda das seis partidas disputadas na primeira rodada da fase de grupos.

Apesar de o Brasil passar por uma grave crise financeira, realidade bem diferente da vivida em 2014, quando sediou a Copa do Mundo, a organização do torneio sul-americano praticou preços equivalentes aos de cinco anos atrás, apesar de o volume de turistas ser bem diferente e principalmente o apelo popular.

A organização da Copa América justifica o preço das entradas – a mais barata para a fase de grupos custa R$ 120 – pelo fato de a arrecadação com ingressos ser uma fatia importante no financiamento do torneio, além dos direitos de televisão.

E apesar da realidade mostrada nas seis primeiras partidas, o presidente da entidade, Alejandro Domínguez, não se mostrou favorável a uma mudança de política de preços quando o fracasso de público já era previsível.

“Modificação de preços não é uma política de que eu goste. Há motivos para crer que os preços fossem estabelecidos desse jeito. Eu convido a todos os torcedores, brasileiros e estrangeiros, para irem aos jogos. Essas histórias não se repetem sempre. A última vez que se jogou a Copa América no Brasil foi há 30 anos. A primeira foi em 1919. Não é todo dia que se tem uma chance de ver os melhores jogadores do mundo”, afirmou Domínguez em entrevista ao Globoesporte.com.

Minas é prova da disparidade
Em 27 de abril, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Atlético fez 2 a 1 no Avaí, no Independência, com uma renda bruta de R$ 52 milhões. Menos de dois meses depois, em 14 de junho, Brasil e Bolívia abriram a Copa América de 2019 e a arrecadação, novo recorde nacional, foi de R$ 22,5 milhões.

Nas quatro partidas em que foi mandante na Série A, o Cruzeiro cobrou, em média, R$ 12 pelo ingresso. Para conseguir arrecadar os R$ 22,5 milhões da goleada brasileira sobre os bolivianos, precisaria levar cerca de 1,8 milhão de pessoas ao estádio.

Os dois representantes mineiros na Série A do Campeonato Brasileiro são exemplos claros da disparidade de preços praticados entre a principal competição nacional e a Copa América.

A média de renda bruta da competição internacional é maior que a arrecadação total de cinco das nove rodadas já disputadas no Brasileirão.

Atração da noite de hoje, no Mineirão, quando encara o Paraguai, pela segunda rodada da fase de grupos, a Argentina, de Messi, teve na Fonte Nova, em Salvador, no sábado passado, o segundo maior público e renda da competição até agora na derrota de 2 a 0 para a Colômbia.

Os R$ 9,3 milhões arrecadados com a venda de quase 35 mil ingressos geraram um tíquete médio de R$ 265, algo impensável para a realidade do futebol brasileiro.

O Gigante da Pampulha teve o tíquete médio (R$ 113) mais barato da primeira rodada. Hoje será dia de conferir quanto vale o show de Messi. E de a Conmebol torcer pela Argentina, para que seu craque siga sendo um dos poucos motivos para o torcedor brasileiro ir ao estádio numa competição que perdeu para a realidade financeira de um país em crise.

Colaborou Hugo Lobão