A presença do futebol mineiro nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias para a Copa do Mundo Catar 2022, que têm o Brasil estreando hoje, diante da Bolívia, às 21h30, na Neo Química Arena, em São Paulo, está restrita a estrangeiros que atuam em Atlético e Cruzeiro e foram convocados para as suas respectivas seleções.

São eles o zagueiro paraguaio Junior Alonso, o volante Alan Franco e o meia-atacante venezuelano Savarino, do Atlético; e o centroavante boliviano Marcelo Moreno, do Cruzeiro.

A ausência de atletas que atuam em Minas Gerais na lista do técnico Tite para encarar, além da Bolívia, o Peru, na próxima terça-feira, às 21h, em Lima, mantém um jejum de mais de uma década sem jogadores dos nossos clubes vestindo a camisa da Seleção Brasileira em partidas pelo torneio classificatório para o Mundial.

O último “mineiro” a usar a amarelinha nas Eliminatórias foi Diego Tardelli, ainda na sua primeira passagem pelo Atlético. Em 14 de outubro de 2009, o atacante, que foi artilheiro da Série A do Campeonato Brasileiro daquele ano, com 19 gols, substituiu Luís Fabiano aos 37 minutos do segundo tempo, num empate sem gols com a Venezuela.
 

A partida, que foi disputada no Estádio Morenão, em Campo Grande, foi quase um amistoso, pois o Brasil já estava classificado de forma antecipada para a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e a Venezuela já não brigava mais por vaga na competição.

Início

Único país a participar de todas as Copas, o Brasil só foi disputar as Eliminatórias pela primeira vez na quinta edição do torneio, pois em 1930, 1934 e 1938 disputou sem precisar passar pela qualificatória, e em 1950 foi sede da competição.

Em 28 de fevereiro de 1954, já no ano do Mundial da Suíça, a Seleção entrou em campo pela primeira vez pelas Eliminatórias para enfrentar o Chile, no Estádio Nacional, em Santiago. E venceu por 2 a 0, com gols do centroavante Baltazar, na época jogador do Corinthians.

A participação do futebol mineiro na competição só foi ter o primeiro capítulo em 1969, quando as Feras do Saldanha buscavam vaga na Copa do México, em 1970.
Nas seis partidas daquelas Eliminatórias, todas disputadas em 1969, o zagueiro Djalma Dias, do Atlético, e o volante Piazza e o meia-atacante Tostão, do Cruzeiro, foram titulares da Seleção Brasileira.

Artilheiro

No caso de Tostão, ele foi mais que titular. Com dez gols em meia dúzia de jogos, é o jogador que mais balançou a rede pelo Brasil numa única edição de Eliminatórias.

Além disso, o camisa 8 cruzeirense, que usava a 9 no time de João Saldanha, fez os dois primeiros hat-tricks da Seleção no torneio, em goleadas sobre a Venezuela, em Caracas e no Maracanã, respectivamente, se transformando na principal peça do time brasileiro na arrancada para o tricampeonato mundial, conquistado no México, no ano seguinte.

Atleticanos

Se Tostão é o jogador mineiro com mais gols em partidas pelas Eliminatórias, sendo convocado atuando em um clube mineiro, quem mais participou de jogos da competição, nesta condição, é o ponta esquerda Éder.

Na briga por vaga nas Copas de 1982, na Espanha, e 1986, no México, ele somou sete confrontos com a camisa 11 amarelinha, superando Djalma Dias, Piazza e Tostão, que somam seis.

Apesar dos sete jogos, Éder não marcou gol pela competição, algo que três atleticanos conseguiram. Toninho Cerezo e Marcelo balançaram a rede nas Eliminatórias para a Copa de 1978, na Argentina. Reinaldo marcou gol na caminhada da Seleção para ir à Espanha.

No torneio classificatório jogado em 1981, foi registrado um recorde de jogadores mineiros titulares da Seleção Brasileira em partidas pelo torneio. Em 22 de fevereiro de 1981, Luizinho, Toninho Cerezo, Reinaldo e Éder foram titulares do time de Telê Santana numa vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia, no Estádio Hernando Siles, em La Paz.

Nesta partida, Reinaldo marcou o último gol de um jogador mineiro em jogos de Eliminatórias, um jejum que já dura quase 40 anos.