A Lei Pelé trouxe como uma das obrigações aos clubes a publicação anual dos seus balanços até o dia 30 de abril. Isso passou a valer em 2002. Desde que o resultado operacional das agremiações passou a ser público, na disputa mineira, o Cruzeiro nunca tinha apresentado uma dívida maior que a do Atlético. O desastroso segundo ano de Wagner Pires de Sá e sua turma à frente da Raposa fez com que isso acontecesse. E o placar com os números de 2019 é R$ 799 milhões do lado celeste, contra R$ 656 milhões do lado alvinegro.

Não há nem motivo para comemoração pelos atleticanos, já que os dois clubes estão no vermelho e em situação muito delicada. O retrato disso é o novo presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, revelando que conseguiu negociar as dívidas do clube com água e luz, que poderiam ser cortados.

No Atlético, análise do jornalista Rodrigo Capelo, publicada na manhã da última quinta-feira (4) no Globoesporte.com, tem o resumo do momento do clube no título, que afirma: “presente e futuro estão ameaçados por prejuízos, dívidas impagáveis e brigas políticas”.

Década

O que impressiona na comparação das dívidas dos dois clubes é a bola de neve criada dentro do Cruzeiro nesta década. O balanço de 2011, publicado em abril de 2012, mostrava que a Raposa tinha uma dívida que chegava perto dos R$ 120 milhões, cerca de três vezes menor que a do Atlético, que ultrapassava os R$ 360 milhões.

Ambos viveram anos dourados em 2013 e 2014, conquistando títulos importantes, mas o sucesso em campo não refletiu nas finanças dos dois clubes. Muito pelo contrário. Nas duas temporadas, eles tiveram prejuízos e títulos de competições como Copa Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil não foram suficientes para frear o endividamento.

Estádios

Apertados no presente, os dois lados parecem apostar em estádios, no futuro, como alternativas de amenizar suas vidas financeiras. O Atlético, na inauguração da Arena MRV. As projeções do clube são de R$ 100 milhões anuais arrecadados com toda a operação do estádio.

O Cruzeiro, com o rival tendo sua casa, aposta em “tomar conta” do Mineirão. Em entrevista recente ao Hoje em Dia, o presidente Sérgio Santos Rodrigues chegou a dizer que o Gigante da Pampulha seria “pintado de azul”. E que o clube lucraria em nova parceria com a administradora do estádio.

Sonhando com estádios, pode-se dizer que alguns foram “desperdiçados” pelo caminho com o descontrole da dupla. As duas dívidas, somadas, chegam a quase R$ 1,5 bilhão. Esta quantia é suficiente para construir três estádios como a Arena MRV, que segundo os cálculos alvinegros custará R$ 480 milhões.

A bolada permitiria ainda duas reformas no Mineirão, pois o processo que o estádio passou entre junho de 2010 e janeiro de 2013, para receber jogos das Copas das Confederações e do Mundo, custou R$ 677 milhões.