"Eu sou o maior, depois de Pelé”. A autopromoção é uma marca do centroavante Dario, jogador mais folclórico da história do futebol brasileiro. Mas há 50 anos, exatamente em 19 de abril de 1970, ele não deixou de realmente ofuscar o Rei. E isso aconteceu no dia em que ele marcou os seus dois únicos gols com a camisa da Seleção Brasileira.

Na reta final de preparação para a Copa do Mundo de 1970, no México, já sob o comando de Zagallo, o Brasil disputou vários amistosos contra seleções de outros países e combinados regionais.

Um deles foi em 19 de abril de 1970, um domingo, como acontece agora em 2020, contra a Seleção Mineira. E naquela tarde, em que 64.364 pessoas foram ao Mineirão, Dario, que vestiu a camisa 9 amarela e formou dupla de ataque com Pelé, foi o nome do jogo.

“Para mim foi uma honra. Fiquei tão inibido, que por uns 15 minutos parecia um poste. Mas aí pensei, Pelé já é famoso, deixa eu fazer o meu aqui, para me garantir”, revela Dario sobre aquela partida disputada há meio século.
 
O JOGO
Em relação ao time que pouco tempo depois seria tricampeão mundial no México, se for considerado do meio para a frente, só duas mudanças foram feitas por Zagallo. Além de Dario no lugar de Tostão, que ainda se recuperava da lesão no olho, que quase o tira da Copa de 1970, outra mudança era Paulo César Caju no lugar de Rivellino, mas isso aconteceu algumas vezes até nos gramados mexicanos.

Mesmo assim, Rivellino entrou em campo no segundo tempo, no lugar do volante Clodoaldo.

A Seleção Mineira, comandada por Telê Santana, era um combinado entre jogadores de Atlético e Cruzeiro, logicamente aqueles que não estavam no grupo brasileiro comandado por Zagallo.

LEMBRANÇAS
Além deste jogo, que foi a segunda vez em que Dario vestiu a camisa da Seleção Brasileira, ele se recorda de um coletivo, no Maracanã, quando estava no time reserva e contou com a parceria do cruzeirense Dirceu Lopes.

“O Zagallo deu um coletivo no Maracanã, entre titulares e reservas. Encarei como o jogo da minha vida. Cheguei no Dirceu Lopes e disse que não tinha condição de tabelar com ele, fazer jogadas de efeito, pois eu não sabia mesmo. Não conseguia fazer duas embaixadinhas. Os caras riam de mim. Mas pedi a ele para lançar bolas em profundidade pra mim. Fiz dois gols assim, depois mais um e fui muito elogiado pela imprensa do Rio de Janeiro, pois alguns pegavam no meu pé, principalmente o João Saldanha”, recorda Dario.

Assim, Dadá Maravilha conquistou seu espaço no grupo campeão do mundo em 1970. “O povo gostou de mim. Diziam que eu tinha personalidade. Não sei o motivo, mas eu falava e as pessoas gostavam. Eu dizia que era o maior jogador do mundo. Acho que o povo estava carente. Sou muito verdadeiro”, analisa Dario.

Minas 1
Raul; Humberto Monteiro, Grapete, Darci Menezes e Neco; Vanderlei Paiva e Amaury Horta; Vagunho, Evaldo, Lola (Natal) e Tião. Técnico: Telê Santana

Brasil 3
Leão; Carlos Alberto, Britto, Fontana e Marco Antônio; Clodoaldo (Rivellino) e Gérson; Jairzinho, Dario, Pelé e Paulo César Caju. Técnico: Zagallo

DATA: 19 de abril de 1970
MOTIVO: Amistoso
LOCAL: Mineirão
GOLS: Gérson, aos 33, e Dario, aos 40 minutos do primeiro tempo; Dario, aos 10, e Natal, aos 20 minutos do segundo tempo
ÁRBITRO: Armando Marques
PÚBLICO: 64.364