O que parecia calmaria se transformou em preocupação para América, Atlético e Cruzeiro. Após retornarem aos treinamentos, os grandes da capital se depararam com três casos de jogadores infectados pelo novo coronavírus – um em cada clube. Isso, inclusive, liga o alerta para que os atletas não relaxem com os cuidados fora dos respectivos centros de treinamentos.

Pioneiro na volta, o Galo começa a terceira semana de atividades e não poderá contar com o meia Cazares. No sábado, após realização de mais um teste, o equatoriano foi identificado com a Covid-19 e, assintomático, voltará ao isolamento, sob os cuidados do departamento médico do alvinegro.

Durante a quarentena, o jogador foi flagrado jogando uma pelada com amigos (inclusive com a presença de Otero), e ganhou os noticiários. Contudo, não se pode afirmar que o contágio aconteceu na quadra localizada em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH, já que nos testes iniciais feitos pelo Atlético, Cazares acusou negativo para a doença. Além disso, o fato aconteceu em 5 de maio, há quase um mês.

Já no América, o camisa 10, Matheusinho, foi o único a testar positivo. Também assintomático, ele nem chegou a treinar com o grupo. Ou seja, o contato com o novo coronavírus aconteceu ainda durante o período de confinamento. Assim como Cazares, o meia está sob os cuidados do DM.

Na Raposa, por sua vez, apenas o atacante Vinícius Popó precisará de cuidados médicos. Na tarde do último domingo, o clube celeste, por meio das redes sociais, confirmou que ele testou positivo para o vírus que já matou quase 30 mil pessoas no país.
 
PREOCUPAÇÃO
Seguindo todos os cuidados necessários para a realização das atividades, o trio da capital seguirá treinando durante esta semana que se inicia. Novos testes, inclusive, serão feitos ao final dela. Contudo, com a expectativa da Secretaria Estadual de Saúde de que o pico da doença aconteça em 19 de julho em Minas Gerais, se pensar em retorno das competições ficou quase impossível.

Outro ponto a se avaliar é com relação à exposição dos atletas fora dos CTs. Contato com outras pessoas, um possível relaxamento, etc.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o caos no sistema público de saúde e o aumento dos casos também refletem no futebol. Além dos casos identificados no Flamengo, o que mais assustou foi a divulgação de 16 atletas do elenco do Vasco com o vírus.


Fácil contágio é um problema
Em entrevista ao Hoje em Dia, quando aconteceu o episódio da pelada disputada por Cazares e Otero, em Santa Luzia, o infectologista Estevão Urbano, questionado sobre o retorno das competições, destacou o campo fértil que é o futebol para a transmissão da Covid-19. E suas posições, apesar da distância de quase um mês, são mais recentes do que nunca.

“O futebol aumenta a chance de transmissão e também de aquisição da Covid-19. Pela proximidade das pessoas, é um terreno fértil para esta transmissão”, destaca o infectologista.

E ele vai além: “No mínimo, existe uma possibilidade pequena de alguém (presente no jogo) ter adquirido o vírus, estar numa fase assintomática, tendo a imensa capacidade de transmiti-lo, como num ‘efeito dominó’. Temos que lembrar que este vírus apresenta rápida passagem de uma pessoa a outra. Se houve momento de contato, cria-se o terreno. O vírus tem uma dispersão exponencial. O grande problema da transmissão é que, em boa parte das pessoas, ele existe/existiu sem ter apresentado sintomas”.

Há quase um mês, Urbano já mostrava que a data de junho ou julho, como pretendiam clubes, federações estaduais e CBF para o retorno do futebol, era um risco. “O ideal (retorno do futebol) seria setembro ou outubro. Mas, como existem outros pontos envolvidos, como o financeiro, no mínimo seria jogo fechado, com todo controle possível”.