Rio São Francisco

‘Projeto Opará’: ribeirinhos monitorarão a qualidade da água

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 19/03/2025 às 19:00.
O projeto terá um barco-laboratório para pesquisas e ações educativas, reunindo moradores, pescadores e estudantes (Neto Macedo)
O projeto terá um barco-laboratório para pesquisas e ações educativas, reunindo moradores, pescadores e estudantes (Neto Macedo)

O “Projeto Opará”, iniciativa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), foi lançado para monitorar a qualidade da água do Rio São Francisco e reforçar sua preservação. Diante dos impactos da poluição, do assoreamento e do uso excessivo de agrotóxicos, pesquisadores, estudantes e comunidades ribeirinhas uniram forças em uma expedição de sete dias a bordo de um barco-laboratório. A ação busca coletar dados em tempo real para subsidiar estratégias de gestão e conservação dos recursos hídricos do Velho Chico.

Clarindo Pereira dos Santos é pescador artesanal e morador da comunidade pesqueira e vazanteira de Canabrava, no município de Buritizeiro, cidade banhada pelo Rio São Francisco. Assim como a maioria dos pescadores, ele considera o rio “milagroso”, por ser de lá que vem o seu sustento e o de centenas de famílias ribeirinhas. A partir dessa conscientização, Clarindo decidiu apoiar o “Projeto Opará” — oficialmente lançado na última segunda-feira (17) durante solenidade no cais do porto de Pirapora. 

“Sobrevivemos desses recursos naturais, por meio da pesca artesanal e do cultivo das terras alagáveis e muito ricas do nosso abençoado Velho Chico”, diz. Mas, apesar do acolhimento do Velho Chico com os trabalhadores, ele lamenta que o rio sofra tantos danos provocados pelo homem. “É um rio milagroso que está ferido, precisando de ajuda. Um rio que está muito impactado e prejudicado com o assoreamento, a poluição, o minério jogado nas suas águas, o agronegócio que pelo seu trabalho dispensa muito agrotóxico nas águas, então a gente tem que dar as mãos, porque senão o Velho Chico vai morrer e o povo tradicional vai morrer junto. Sobrevivemos do rio e ele também sobrevive dos nossos acolhimentos”, argumenta o pescador. 

Para o reitor da Unimontes, Wagner Santiago, a experiência é a realização de um sonho, que se materializa graças também ao empenho dos pesquisadores envolvidos no projeto e a parceria com a Fadenor (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino Superior do Norte de Minas). “A Fadenor é quem dá o suporte necessário à universidade para que ela possa expandir suas ações no ensino, extensão e também na pesquisa, como testemunhos aqui”, disse o reitor durante lançamento do projeto em Pirapora. Desse modo, Wagner acredita que a universidade está contribuindo com a preservação da Bacia do São Francisco. 

Maurício Lopes Faria, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é um dos coordenadores do projeto, que envolve, além da comunidade ribeirinha, os estudantes. São eles que ficam responsáveis por fornecer dados, em tempo real, sobre a qualidade da água. “O projeto foi imaginado como uma forma de gerar informações e alimentar o poder público nas suas mais diversas dimensões, para que as pessoas possam fazer planejamento e gestão dos recursos hídricos”, disse Maurício. A expedição vai fazer a coleta, análises ambientais e registros para a produção de um documentário.

A promotora Tatiane Almeida, da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), participou do evento e destacou que absorveu ainda mais a importância da preservação do rio e sua bacia, quando do encontro de promotores do Meio Ambiente em Juazeiro, na Bahia. Em sua análise, a responsabilidade de Minas Gerais nessa questão é imensa e o MPMG, como detentor dos recursos voltados à compensação de crimes ambientais, não poderia se ausentar da parceria com a Universidade. “É a união da ciência, dos agentes públicos, do recurso que é de todos nós que temos o meio ambiente prejudicado com os danos ambientais”, disse a promotora, salientando que a iniciativa dá à população ribeirinha, muitas vezes distante e afastada dos seus direitos, o papel de protagonista da história. Concomitante, permite ao MPMG acompanhar o nível de degradação da água, com posterior acionamento dos responsáveis.

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