Educação

Funorte é destaque em educação superior no Norte de Minas

Maior complexo educacional da região celebra bodas de prata com legado de transformar a vida do povo sertanejo

Alexandre Fonseca*
Publicado em 22/08/2022 às 22:21.
História da FUNORTE integra a história da expansão do ensino superior no Norte de Minas. (ASCOM)

História da FUNORTE integra a história da expansão do ensino superior no Norte de Minas. (ASCOM)

O maior complexo educacional do Norte de Minas completa 25 anos em 2022. As Bodas de prata do Centro Universitário Funorte celebram uma transformação do ensino superior na região que possibilitou a mudança do curso da história de vida de milhares de estudantes e suas famílias. 

A história do ensino superior no Norte de Minas começou em 24 de maio de 1962, com a criação da Fundação da Universidade Norte Mineira (FUNM), atual Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), estabelecida na Lei Ordinária nº 2615 de Minas Gerais, de autoria do ex-deputado estadual Cícero Dumont, e sancionada pelo então governador Magalhães Pinto. De 1962 para cá, segue com o legado, firme, carregando o bastão da educação superior norte-mineira.

O professor e 2º ex-reitor da FUNM, Raimundo Rodrigues Avelar – medalhista do Mérito educacional Maria Aparecida Bispo (Câmara Municipal de Montes Claros) por projeto de autoria do ex-vereador Ruy Muniz (2006), comenta que a vinda de Institutos de Educação Superior (IES) para o Norte de Minas possibilitou que os talentos locais não precisassem migrar para outros polos educacionais, como Diamantina, Ouro Preto e Belo Horizonte.

“Antes da fundação e da Faculdade de Filosofia (Fafil), no período que só existia a Escola Normal, não havia curso superior. Moças faziam o curso de formação, de nível médio, no Colégio Imaculada, e, uma vez formadas, estavam habilitadas a lecionar apenas para o ensino fundamental e médio. Montes Claros deve muito a algumas mulheres, como Baby Figueiredo, Maria Dalva Dias de Paula e Isabel Rebello de Paula, que reivindicaram essas mudanças. Isabel era esposa do deputado federal Luiz de Paula, e exerceu nele grande influência para que existisse uma especialização de formação em Montes Claros, um curso superior”, conta.
 
NA VANGUARDA
Avelar lembra que a FUNM serviu à região uma possibilidade até então inexistente. 

“Se alguém precisasse de um advogado em Montes Claros tinha que sair procurando uma agulha no palheiro. Médico era ainda pior. Os cursos eram ofertados, razoavelmente bem. Após essa implementação, passou a existir na região uma demanda e outros pretendentes começaram com a ideia de expandir o ensino superior, como a Funorte”.

Instituição tem mais de 30 cursos superiores

Credenciada pelo Ministério da Educação em 23 de dezembro de 1997, a Funorte conta com mais de 30 cursos de formação superior, além de oferecer opções de pós-graduação lato e stricto sensu.  

É dividida em uma estrutura com oito campi, com laboratórios de ensino, núcleo de prática jurídica, centro de especialidades médicas, farmácia-escola, clínica de fisioterapia, spa escola, dois complexos esportivos e uma unidade de saúde – o Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira.

De acordo com o artigo “Expansão das instituições de ensino superior e as dinâmicas espaciais intraurbanas em Montes Claros/MG (2021)”, publicada na revista acadêmica Geografares, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Centro Universitário Funorte é o segundo maior polo acadêmico da cidade – e o primeiro privado.

Na época, o estudo avaliou 152 cursos de graduação presenciais, divididos em 10 instituições de ensino superior. O primeiro colocado geral da lista ofertava 37% dos cursos e a Funorte, 22%, sendo a primeira colocada entre as instituições privadas. Além disso, a faculdade ranqueava na lista com o maior número de unidades em Montes Claros.

Um dos autores do estudo, o professor e mestre em geografia Christian Yago Vieira de Souza explica que o processo de expansão do Ensino Superior na cidade teve origem na abertura política e na Constituição de 1988, época em que houve maior direcionamento de investimentos para a educação. 

“A partir da década de 1990, o Brasil tem desenvolvido estratégias de reestruturação e expansão das universidades públicas, além de financiamento e oferta de bolsa de estudo em instituições privadas, objetivando a interiorização e a expansão do ensino superior. O que, por sua vez, tem favorecido cidades médias, como é o caso de Montes Claros. As IES privadas aderiram ao Programa Universidade para Todos (Prouni) e ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que promoveram expansão de oportunidades de ingresso”, comenta o mestre em geografia.
 

EXPANSÃO DAS IES

Souza destaca ainda que o processo de expansão das IES em MOC vai além dos limites da cidade, afetando positivamente outros municípios norte-mineiros e possibilitando que os egressos desses complexos educacionais – como os do Centro Universitário Funorte – melhorem as condições financeiras devido ao ampliamento do leque de oportunidades no mercado de trabalho. 

“As IES privadas têm desenvolvido estratégias para atrair o maior número de estudantes, com oferta de cursos que não se encontram nas IES públicas em Montes Claros. E de adesão a programas e financiamentos governamentais que, por sua vez, têm oportunizado maior inserção de estudantes no ensino superior, sobretudo da população com menor poder aquisitivo”, finaliza.

Oferta ampliada evitou ‘fuga’ de talentos locais
Professora de português e francês, pós-graduada em Linguística e Redação, ex-colaboradora da Funorte e que acompanhou de perto o crescimento e a história da instituição, Nely Rachel Veloso Lauton relembra que a meta da instituição era oferecer a MOC e à região um ensino de qualidade e que também freasse a fuga dos talentos locais para outros polos. 

“A Funorte possibilitou aos jovens ter uma excelente qualidade de ensino sem a necessidade de estudar em outros centros longe da família, como era o caso daqueles que queriam estudar Medicina ou Arquitetura, por exemplo. Aos poucos, a instituição foi crescendo, ampliando a oferta de cursos, oferecendo encontros, seminários, palestras e outros eventos com profissionais renomados, convidados de outras universidades brasileiras, oferecendo aos acadêmicos oportunidades de crescimento educacional durante a graduação”, observa a professora.

Nely Rachel destaca ainda que a Funorte desburocratizou alguns processos de acesso ao ensino superior, possibilitando que todos pudessem almejar o sonho da graduação de qualidade. “Com oferta de novos cursos e a adesão inevitável à tecnologia, tudo foi modificado e oferecido com competência e seriedade aos vestibulandos, fato que continua até hoje”, diz ela. 

“Todos os cursos são acompanhados pelo MEC, que afere o ensino oferecido por cada faculdade com a aplicação do Enade. Nossos formandos são referência em muitas cidades pela competência e requisitados para estágios e trabalho, logo após a conclusão do curso, fato relevante que comprova o grau de seriedade do acadêmico e da instituição em que se formou”, relembra Nely.

Atualmente, o Centro Universitário Funorte é dirigido pelo seu fundador, o ex-prefeito de Montes Claros (2013-2017), empresário, médico e professor Ruy Adriano Borges Muniz. E a magnífica reitora é a ex-deputada federal, professora, médica geriatra e do trânsito, Tânia Raquel de Queiroz Muniz.

*Reportagem realizada com dados da Unimontes

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