
Educadores se reuniram na manhã desta segunda-feira (23), em frente à Prefeitura de Montes Claros, para cobrar posicionamento da gestão do prefeito Guilherme Guimarães. Mesmo sob chuva, o grupo pediu a presença do chefe do Executivo ou de um representante para dialogar sobre as reivindicações. Segundo os manifestantes, as denúncias envolvem contratação irregular de pessoas para cumprimento de acordos políticos, negativa de matrículas, sobrecarga de auxiliares de docência e ausência de professores em unidades que receberam investimentos em infraestrutura. Os participantes permaneceram no local até cerca de 11h, sem atendimento por parte da administração municipal.
A Guarda Municipal e a MCTrans foram acionadas para o local, e carros de som dos manifestantes foram impedidos de entrar no pátio da prefeitura. Dos 23 vereadores, apenas a professora Iara Pimentel compareceu para ouvir os professores.
“Existe um edital homologado com centenas de pessoas aprovadas em lista de espera. Parte delas está aqui tendo que gritar na porta da prefeitura para o prefeito fazer o que já deveria ter feito”, diz a supervisora pedagógica Maria Francisca de Jesus, que chama atenção para a dificuldade dos concursados em assumir seus cargos. “A homologação do concurso foi em maio de 2025. Eles pararam com as aulas em 19 de dezembro. Hoje, dia 23 de fevereiro, estamos aqui sem rumo. Há escola que nem diretor tem e quem está ‘quebrando o galho’ são coordenadores da secretaria de Educação, enquanto nós, aprovados, estamos precisando trabalhar e passando dificuldade”, relata Maria Francisca.
“O déficit de profissionais se refere às escolas municipais, mas nas escolas conveniadas, a gestão também está passando por cima da lista de concursados, não nos chamam e deixam lá pessoas das escolas privadas. A fala é que não há vagas e não há recurso para investir. Mas estão preenchendo as vagas com não concursados”, diz a professora Márcia Pereira. Ainda segundo Márcia, a privatização da educação infantil anunciada pelo município ignora pontos essenciais na proteção dos alunos. “Como será a vida desses pais com as crianças longe de suas casas? E a alimentação e o transporte dessas crianças? Alguém pensou nisso quando decidiu privatizar a educação? Pense como ser humano, senhor prefeito”, declarou, e fez uma ressalva. “Não tem dinheiro para a educação, mas tem dinheiro para fazer estádio. Precisamos de respeito”.
Para a professora Luane Thaíssa Freitas, “o concurso está em vigência e as salas estão fechadas. Por que não nos colocar se existem as vagas e existe a demanda de alunos? Tanto existe que estão fazendo um chamamento para escolas privadas assumirem a educação infantil”, reiterou.
Um dos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEI) citados pelos manifestantes, onde estariam sendo negadas vagas, está localizado no bairro Jardim Olímpico. Inaugurado com alarde em 2025 e promessa de fortalecer a educação infantil, o espaço está ocioso, com apenas uma turma pela manhã e quatro à tarde. A reportagem esteve no local nesta segunda-feira (23) e confirmou o que foi dito pelos professores. Mãe de duas crianças, Joyce Silva, moradora do bairro, destacou que conseguiu matrículas apenas para uma das crianças. “Eles me falaram que não havia vaga no momento, sendo que a demanda do maternal é muito maior do que a do primeiro e segundo período. Eu não posso trabalhar porque tenho que ficar com o menor. Se ele estivesse estudando, seria mais fácil”, disse. Conforme uma professora, há uma lista de pessoas que anseiam por uma vaga naquele Cemei, de mais de 200 crianças e, mesmo com estrutura, não são formadas as turmas. No Cemei da Vila Sion, também inaugurado com festa pela administração, em 2025, o problema se repete. Quatro turmas funcionam como duas, por serem abrigadas na mesma sala, por ter apenas um professor para cada.
A Prefeitura de Montes Claros foi procurada para dar esclarecimentos sobre a situação, mas até o fechamento da edição, não houve retorno formal sobre a situação. Professores afirmaram que a manifestação segue nesta terça-feira (24), desta vez, na Câmara Municipal.
