
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao último censo em 2022, apontam que o Brasil tem mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos em 1.696 municípios do país. Os quilombolas são descendentes de pessoas negras que, durante a escravidão, formaram comunidades para viver com liberdade. Minas Gerais é um dos estados que mais concentra essa população, especialmente no Norte de Minas e Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Desde 1988, por meio da Constituição Federal, os quilombolas têm o reconhecimento legal de seus territórios e direitos. Com o reconhecimento, veio também o aumento de políticas públicas, inclusão e educação. São os institutos e universidades federais que asseguram o acesso dos quilombolas ao ensino superior por meio da Nova Lei de Cotas.
Anescia Ferreira Cardoso, do Quilombo Bem Viver, da comunidade Vila Nova dos Poções, em Janaúba, é estudante da primeira turma de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola, no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG). “A educação é uma conquista importante. Estamos na luta pela bolsa permanência e expansão para outras universidades”, disse. A educação quilombola alia conteúdo acadêmico à preservação da cultura, história, identidade e modo de vida do seu povo.
Patrícia Ramos pertence ao mesmo quilombo de Anescia e declara: “Nunca imaginei que aos 36 anos, teria a chance de fazer a minha primeira licenciatura. Quero que meus filhos tenham a mesma oportunidade”, disse a quilombola mãe de três filhos, para quem a educação direcionada é um diferencial importante. “A gente estuda tanto para a educação regular, como para a educação quilombola. Tenho colegas que já atuam com a disciplina de filosofia por meio da licenciatura. E, por outro lado, não perdemos nossas raízes”, afirmou.
O Governo Federal autorizou a construção de uma moradia estudantil na cidade de Minas Novas, planejada para atender principalmente estudantes de comunidades quilombolas e povos tradicionais da região do Vale do Jequitinhonha. A residência gratuita para os estudantes, com capacidade para aproximadamente 100 alunos, receberá um investimento de R$ 2,6 milhões do Ministério da Educação. O anúncio ocorreu durante a visita do Ministro da Educação, Camilo Santana, a Montes Claros, na última sexta-feira (13). “Isso faz parte da política lançada pelo Governo do Brasil para consolidar os campi já existentes que não têm moradia nem restaurante. O campus de Minas Novas já vai nascer com moradia estudantil. Além disso, estamos implantando 12 restaurantes estudantis e autorizando três ginásios poliesportivos para os campi do IFNMG”, destacou o Ministro.
Ele chegou ao local acompanhado de deputados federais como Paulo Guedes, representante de Montes Claros na Câmara Federal, da vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputada Leninha, e de Dandara Tonantzin, autora da Nova Lei de Cotas. Camilo foi recebido com festa pelos quilombolas, que executaram cantos e danças tradicionais, como a Dança do Pote, em que uma jovem carregava na cabeça o pote de barro, enquanto o ministro se juntava à roda, acompanhando os passos e palmas, celebrando a cultura e a resistência dos povos de Minas Gerais.
“A visita do Ministro da Educação a Montes Claros é um momento importante. Estive presente para acompanhar de perto os investimentos na educação e o fortalecimento de instituições que transformam vidas”, disse o professor Ruy Muniz, fundador do Centro Universitário Funorte, que presenteou o Ministro com um exemplar que reúne tradição e cultura montes-clarense.
