Inclusão escolar

Desafios e estratégias pedagógicas para crianças e adolescentes com TEA

Larissa Durães
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 04/04/2025 às 19:00.
Pietro, acompanhado de sua professora, Glória (Fernanda Antunes Brito)
Pietro, acompanhado de sua professora, Glória (Fernanda Antunes Brito)

A inclusão escolar de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda enfrenta desafios no Brasil. Celebrado nesta semana, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, especialistas e pais destacaram a importância de adaptações curriculares e capacitação docente para garantir uma educação verdadeiramente inclusiva. Dados do Ministério da Educação apontam que 36% das escolas possuem salas de recursos multifuncionais, enquanto o Censo Escolar de 2022 registrou 1.372.000 estudantes da educação especial em classes comuns. Em Montes Claros, até 28 de março de 2025, 975 alunos com TEA estão matriculados na rede de ensino.

O diagnóstico precoce é essencial para um atendimento adequado, permitindo que a intervenção ocorra no momento certo para o desenvolvimento de habilidades sociais e motoras. “Quanto mais cedo for feito, maiores são as chances de o indivíduo conquistar autonomia e independência”, afirma a supervisora e psicopedagoga Ellen Acácia.

Apesar dos avanços, a inclusão ainda enfrenta obstáculos, como a necessidade de adaptação curricular personalizada. “Se uma criança não consegue segurar um lápis, antes de exigir a escrita, é preciso desenvolver sua coordenação motora”, explica Ellen. Recursos como lápis adaptados e materiais concretos podem facilitar o aprendizado.

A inclusão escolar de autistas é um processo em evolução, mas ainda demanda investimentos e melhorias. O fortalecimento desse processo depende de políticas públicas, capacitação docente e do comprometimento de toda a comunidade escolar.

“A fase escolar é a mais desafiadora para a mãe que tem um filho autista. Foi muito complicado achar uma escola; receber um ‘não’ foi bem difícil. Mas, graças a Deus, consegui encontrar uma escola que acolheu com todo o amor do mundo”, relata Fernanda Antunes Brito, mãe de Pietro, de oito anos, com autismo.

Inicialmente, Fernanda matriculou Pietro em uma escola particular, mas a experiência foi frustrante. “Foi um horror”, enfatiza. Atualmente, o menino estuda em uma escola pública, onde, apesar de avanços, ainda há lacunas no suporte oferecido. “Já falamos muitas vezes da necessidade de uma pessoa especializada para acompanhar as crianças autistas, mas o que oferecem é uma pessoa de ensino médio, sem especialização, somente para cuidar das necessidades básicas”, explica. Segundo ela, a professora regente precisa adaptar todo o material sozinha, sobrecarregando o sistema, dificultando o aprendizado.

Outro desafio é a composição das turmas. “Meu filho foi colocado em uma sala com 35 alunos, sendo oito com necessidade de mediação. A solução deveria ser criar outra turma, mas isso não acontece”, aponta. Apesar das dificuldades, Fernanda destaca o esforço da escola em promover um ambiente inclusivo. “Vejo muita vontade dos professores e da direção em nos apoiar, o que já faz uma grande diferença”, afirma.

A interação entre os alunos também tem sido positiva. “Os colegas são uma gracinha. Mas a criança reflete o que os pais ensinam. Se aprendem amor, respeito e diversidade, é isso que vão praticar”, observa.

Sobre melhorias na inclusão, Fernanda defende maior capacitação de profissionais. “Os órgãos públicos e os responsáveis pela educação deveriam se informar mais sobre o autismo. Precisamos de mais profissionais preparados. Não adianta colocar alguém sem conhecimento para cuidar dessas crianças. Embora se fale muito sobre autismo hoje, poucos realmente entendem”, conclui.

A Secretaria de Educação de Montes Claros, ao ser contactada, disse que “o município de Montes Claros oferece professores de Atendimento Educacional Especializado, psicopedagogos, intérprete de libras, também para alunos surdos/autistas, instrutor de Libras para formação dos professores e orientação quanto ao trabalho com aluno surdo/autista, auxiliares de docência (profissional de apoio). A formação desses profissionais é contínua através de capacitações pelos profissionais da Secretaria Municipal de Educação, pelos professores de atendimento educacional especializado, profissionais externos de outras redes intersetoriais, como saúde e desenvolvimento social, além de cursos disponibilizados pelo MEC, através de diversas plataformas de ensino”.
 
*Com informações da Agência Brasil

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