A saúde de 1 milhão de mineiros pode ser colocada em perigo com a volta das aulas presenciais no 853 municípios do Estado. A constatação é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), após análise sobre a quantidade de pessoas incluídas no grupo de risco da Covid-19.

Esse grupo de risco inclui idosos e pessoas com doenças crônicas que moram com crianças e adolescentes em idade escolar. Atualmente, não há previsão para o retorno das aulas. Instituições privadas e a rede estadual seguem com o aprendizado remoto. Ontem, Minas confirmou mais de 116 mil casos de Covid e 2.551 mortes.

O perigo segue minimizado com o isolamento social. A quantidade de pessoas que passaria a se expor ao novo coronavírus, após o aumento na circulação dos alunos, foi calculada pela Fiocruz com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), do IBGE.

O levantamento aponta que Minas tem 622.121 idosos que moram com pelo menos um estudante que tem de 3 a 17 anos. Há ainda outras 403.396 pessoas com diabetes, doença do coração ou pulmão que dividem o lar com jovens matriculados em escolas.
 
CONTÁGIO
No Brasil, o retorno das atividades nas instituições de ensino poderia colocar em risco 9,3 milhões de pessoas, o que representa 4,4% da população. Em um comunicado da Fiocruz, o epidemiologista Diego Xavier, do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da fundação, destaca que, além das contaminações, o número de óbitos poderia subir.

“A volta às aulas pode representar uma perigosa brecha neste isolamento. Nós estimamos, no estudo, que, se apenas 10% dessa população de adultos com fatores de risco e idosos que vivem com crianças em idade escolar vierem a precisar de cuidados intensivos, representará cerca de 900 mil pessoas na fila das UTIs. Além disso, se aplicarmos a taxa de letalidade brasileira neste cenário, estaremos falando de algo como 35 mil novos óbitos, somente entre esses grupos de risco”.
 
MOMENTO 
Infectologista e membro do Comitê de Combate à Covid-19 em Belo Horizonte, Carlos Starling reforça que este não é o momento adequado para mandar os alunos às escolas. 

“Pode ser que mais para a frente não tenha esse impacto. Mas, no momento, estamos com alto índice de incidência de casos. Se as aulas voltassem, teríamos um aumento muito rápido dos casos, por causa da circulação do vírus”, avaliou.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) reafirmou na segunda-feira que, por enquanto, não há previsão de retorno presencial das aulas. “O governo está avaliando os meios mais seguros para a retomada das atividades presenciais nas instituições de ensino, considerando critérios técnicos e científicos”. A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (Smed) também informou que, neste momento, não há previsão de retorno às salas de aula.