Profissionais de diversos segmentos foram reunidos pelas Faculdades Funorte para falar sobre as perspectivas e desafios pós-pandemia em seminário on-line que começa nesta terça-feira (16) e prossegue até a quinta-feira (18).
 
Um dos setores envolvidos no cenário de combate à pandemia é o profissional de enfermagem, que lida direta e diariamente com o risco e enfrenta o desafio de voltar para casa depois do trabalho e lidar com os familiares sem saber se a cada atendimento continua saudável.
 
Para a professora doutora Elizia Paiva, coordenadora do Curso de Enfermagem do UniSant’Anna, com ampla experiência na área hospitalar, este profissional foi “descoberto” na pandemia, é reconhecido pela sociedade, aplaudido e tratado como super-herói. Mas, na prática, está longe de receber o tratamento adequado.
 
“Ele fica mais tempo com o paciente, faz a quarentena profissional que existe no ambiente de trabalho e precisa voltar para o meio familiar e fazer uma quarentena social, porque não pode lidar com outras pessoas. Ele também tem medo do contágio e acaba se limitando. Será que os hospitais têm material adequado para tratar deste profissional, que recebe uma sobrecarga de tarefas? Ele vive em um ambiente contaminado, demora para ir ao banheiro, para beber água, para tirar a sua folga dentro do banco de horas, entre outras situações. Como está o psicológico deste profissional? Como ele é tratado pelo governo ou pelo próprio hospital caso seja infectado?”, questiona a professora, que vai abordar estas situações.
 
Elizia defende que os testes deveriam ser estendidos aos familiares do profissional e que ele deveria ser medicado com cuidado e distinção, e não apenas ser enviado de volta ao lar após uma possível contaminação. Além disso, Elízia alerta que é necessário tirar o estigma que pesa sobre o enfermeiro, que, invariavelmente, é visto como portador da doença pelo fato de permanecer em contato direto com pacientes.
 
AGRO EM ALTA
“O campo do agronegócio está literalmente fértil para o cenário que virá. Desde que economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo”, sugere o professor doutor Marcelo Silva Marinho, coordenador do Curso de Agronomia do Centro Universitário Icesp, de Brasília, e palestrante do evento.
 
Para ele, este é o setor da economia que mais cresce. Entretanto, as transformações, como em todos os outros setores, são necessárias para se aproveitar o potencial agrícola do país.
 
“Vivemos em um país com dimensões continentais, recursos naturais abundantes, solo fértil e as maiores reservas de água doce do planeta. É por isso que chamamos o Brasil do grande ‘celeiro do mundo’. É através do agronegócio brasileiro que alimentamos boa parte do mundo! É através do agronegócio que geramos milhões de empregos e movimentamos a nossa economia através de exportações cada vez mais demandadas no mundo. E, sem dúvida, é através do agronegócio que iremos nos movimentar em direção à retomada do crescimento pós-pandemia. Porém, a partir de agora temos que buscar, mais do que nunca, a tão falada ‘sustentabilidade”, diz Marcelo.
 
Dentro deste quadro, o setor agrotecnológico é a grande aposta e o professor acredita que talvez seja justamente o que passará por grandes alterações depois da pandemia. “Hoje em dia, nossas áreas são georeferenciadas, usamos satélites para demarcações de áreas e até mesmo para análises de fertilidade. Mais do que nunca, a tecnologia será importante para o desenvolvimento do agronegócio nacional. Os equipamentos, os implementos, as máquinas agrícolas terão que se readaptar ao chamado ‘novo-normal’ com menos impacto no solo e menor consumo energético, porém, com maior eficiência de trabalho”, diz.