Apenas dois a cada cem estudantes atingiram os melhores desempenhos em leitura, matemática ou ciências. É o que mostra o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), maior prova de educação básica do mundo. O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações, mas se mantém entre as últimas colocações do ranking.

Os resultados foram divulgados nesta semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo formado por 37 países, entre eles Canadá, Finlândia, Japão e Chile.

Por aqui, as pontuações obtidas colocam o Brasil no “nível 2” em leitura, “1” em matemática e também “1” em ciências, em uma escala que vai até “6”. Pelos critérios da OCDE, o “2” é considerado o mínimo adequado.

Ao todo, quase metade – 43% dos jovens – ficou abaixo do que é recomendado nas três disciplinas. Apenas 2,5% ficaram nos níveis “5” e “6” em pelo menos uma das áreas do conhecimento.

Cerca de 10 mil alunos de 638 escolas fizeram o exame. Meninas tiveram melhor desempenho que meninos em leitura. Elas obtiveram 26 pontos a mais – em média. Já o público masculino supera em nove pontos quando são comparados os resultados no teste de exatas.

De acordo com a OCDE, o nível socioeconômico dos estudantes teve impacto no desempenho nas provas. No Brasil, a diferença de desempenho entre aqueles com nível socioeconômico alto e aqueles com nível baixo foi de 97 pontos em leitura, o que equivale a quase três anos de estudo. Essa diferença superou a média da OCDE, que é de 89 pontos. 
*Com agências 

ALÉM DISSO
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o resultado abaixo do esperado é responsabilidade de governos anteriores. “Estamos estagnados desde 2009, estatisticamente com o mesmo desempenho no Pisa”.  
 
O titular da pasta disse que “em matemática, o Brasil ficou em último lugar na América do Sul, empatado com a Argentina. Em ciências ficou em último lugar, também da América do Sul, empatado com a Argentina e Peru. E em leitura ficamos à frente apenas de Argentina e Peru”.  
 
Segundo ele, o objetivo é mudar essa realidade. “Vocês vão ver que o ponto de inflexão será 2019, graças à nova política nacional de educação, aos treinamentos e capacitações que serão implementadas ano que vem, por meio da internet, e pela expansão do ensino em tempo integral”.