agronegócio

Semiárido do Norte de Minas produz primeiro chocolate

Pesquisa da Unimontes em Janaúba testa qualidade do produto feito com cacau regional

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 27/02/2026 às 19:00.
Com ciência, inovação e sustentabilidade, o Norte de Minas entra definitivamente no mapa do cacau brasileiro (Unimontes/ divulgação)
Com ciência, inovação e sustentabilidade, o Norte de Minas entra definitivamente no mapa do cacau brasileiro (Unimontes/ divulgação)

O Norte de Minas Gerais acaba de conquistar um marco histórico para a agricultura e a inovação científica regional: foi produzido o primeiro chocolate feito exclusivamente com cacau cultivado no semiárido, a partir de frutos colhidos na Fazenda Experimental do campus da Unimontes, no município de Janaúba. 

O chocolate foi elaborado com a variedade CCN 51, cultivada em condições adaptadas ao clima semiárido, resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo de anos no campus da universidade. Os primeiros testes de qualidade estão sendo realizados no Laboratório de Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal (TPOV), espaço de ensino, pesquisa e extensão voltado ao processamento e à inovação em matérias-primas vegetais.

Os estudos são coordenados pela professora e pesquisadora Maristella Martinelli, do Departamento de Ciências Agrárias da Unimontes, doutora em Ciências de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ela, além do chocolate produzido exclusivamente com o cacau da fazenda experimental, também foram realizados testes com amostras obtidas junto a agricultores da região, permitindo análises comparativas da qualidade sensorial e tecnológica do produto final. “Os testes são importantes para termos um perfil inicial de qualidade dos chocolates”, explica.

As próximas etapas da pesquisa incluem o desenvolvimento de novas formulações, testes para produção de chocolate ao leite e a utilização de novos genótipos, considerando que a composição química do cacau varia de acordo com a genética da planta. Estão previstas avaliações físico-químicas e sensoriais, que irão analisar teor de gordura, compostos fenólicos, aroma, sabor e textura, fatores diretamente ligados à aceitação do consumidor e à qualidade do chocolate.

O TPOV, onde os testes são realizados, foi estruturado com recursos da Fapemig e atende cursos como Agronomia, Zootecnia, Tecnologia em Gestão do Agronegócio e Fruticultura. Além das atividades acadêmicas, o laboratório também abriga projetos de pesquisa fomentados por instituições como o CNPq, fortalecendo a integração entre ensino, ciência e desenvolvimento regional.

O projeto de cultivo do cacau no semiárido é coordenado pelo professor Victor Maia e envolve estudos sobre três clones de cacaueiros cultivados sob déficit hídrico controlado. As análises incluem compostos fenólicos e voláteis, que influenciam diretamente o aroma, o sabor, o potencial antioxidante e a qualidade tecnológica do chocolate.

Os resultados iniciais indicam boas perspectivas para o cultivo do cacau no Norte de Minas, com potencial para geração de renda, diversificação agrícola e fortalecimento da economia regional. Além disso, os estudos abrem caminho para a produção de chocolates do tipo “bean to bar”, com identidade territorial, rastreabilidade e valor agregado.

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