
Implantado há três anos, o Selo “Sim Codanorte” já permite a 26 empresas de 67 municípios consorciados ao Consórcio Intermunicipal Multifinalitário para o Desenvolvimento Ambiental Sustentável do Norte de Minas (Codanorte) comercializar produtos de origem animal em toda a área de abrangência da entidade. A certificação, vinculada ao Serviço de Inspeção Municipal, busca ampliar mercados, agregar valor à produção e fortalecer a economia regional.
Proprietário do laticínio Rancho das Gerais em Pedras de Maria da Cruz, o produtor rural Brígido Cabral abraçou a oportunidade de ampliar o seu negócio por meio da certificação. “Estávamos apenas em Januária e lá já havíamos atingido o limite de mercado. Queríamos crescer e fizemos esse caminho. Hoje estamos em Januária, Pedras de Maria da Cruz, Itacambira e Montes Claros”, declara Brígido.
Ele conta que chegou a ouvir de algumas pessoas que o selo não era um passo necessário, mas ressalva que, ao se aprofundar no assunto, percebeu o quanto a segurança alimentar é importante. “Trabalhamos com produto de origem animal e o processo é muito rigoroso, desde a garantia para a gente mesmo quanto para o nosso cliente. É extremamente necessário, não só para abrir mercado, mas para levar segurança aos nossos clientes. Se com tantos processos a gente ainda peca em algum detalhe, você imagina quem faz no quintal de casa”, observa.
O produtor destaca ainda que recebeu toda a orientação necessária, e o diferencial é que o selo tem exigências criteriosas, que seguem a legislação, mas com uma burocracia que considera a realidade dos pequenos. “Eles são mais instrutivos, verificam a nossa realidade, fazem o desenho junto com a gente e orientam nas boas práticas. A partir daí a gente faz as adequações de acordo com o que eles pedem para alinhar”, disse o produtor. O laticínio trabalha com produção de doce de leite, queijo e iogurte, sendo o carro-chefe. “Fomos premiados recentemente com medalha de prata no Prêmio Queijo Brasil, como um dos melhores iogurtes do país. O selo abriu as portas, só temos a agradecer”, frisou.
A iniciativa visa fomentar a economia local, agregar valor ao produto e ampliar mercado. De acordo com Deiviane Muniz, gerente e diretora do serviço de inspeção da Codanorte, os municípios tinham antigamente o serviço apenas municipal. Com o consórcio, esse cenário mudou. Para aderir, conforme a diretora, o município aprova uma lei, a documentação é enviada pelo consórcio, sendo cobrada uma taxa de R$ 0,15 por habitante. “É um valor irrisório para ter equipe veterinária, gerente, diretor e todo o suporte. Além da segurança alimentar, eles abrem mercado e podem vender nos 67 municípios vinculados. Se quiserem ter mais acesso, por exemplo, ao mercado nacional, nós podemos dar a eles o selo Sisbi”, explica.
“Chegando ao nosso sistema, a equipe já está de prontidão para atender. Em um curto espaço de tempo, é feita a verificação da documentação, a gente marca a inspeção e orienta as agroindústrias sobre o que elas têm que fazer”, acrescenta. Segundo Deiviane, os frigoríficos e abatedouros têm que ter o médico veterinário sempre; já os laticínios recebem a inspeção periódica. Em relação a limitações, ela declara que “tem mercado para tudo. O fato de ter um município que tem um laticínio não impede que outro tenha”. Para o presidente da Codanorte, Miguel Felipe, “quando um produtor consegue regularizar sua produção e acessar novos mercados, os benefícios ultrapassam o próprio empreendimento. São gerados empregos, fortalecidas cadeias produtivas, movimentada a economia local e valorizados os produtos da região”, afirma.
