
O Projeto Forrageiras para o Semiárido entrou em uma nova etapa de pesquisa e passa a testar, em campo, um bioinsumo com tecnologia de nanopartículas em unidades de referência distribuídas no Nordeste e no Norte de Minas Gerais. A fase, chamada de 2.1, amplia os estudos iniciados em 2017 e foca na avaliação do desempenho dessa tecnologia em condições reais de produção.
A iniciativa é conduzida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Instituto CNA, em parceria com a Embrapa e federações da região. Na primeira fase, foram testadas 30 espécies forrageiras — entre anuais, perenes, cactáceas e leguminosas arbóreas — em 12 Unidades de Referência Tecnológicas (URTs). O objetivo foi identificar materiais mais resilientes e produtivos em regime de sequeiro. Os resultados dessa etapa foram consolidados em boletins técnicos, disponibilizados aos produtores a partir de 2020.
Com base nesses dados, o projeto avançou para a segunda fase, restringindo os testes às espécies com melhor desempenho. Novas 12 URTs foram implantadas, agora com a inclusão do componente animal, voltado para as cadeias de leite e corte. Os resultados dessa etapa estão previstos para o segundo semestre de 2026.
Na fase atual, os pesquisadores avaliam o uso do bioinsumo KT2, desenvolvido com nanotecnologia. Segundo a assessora técnica do Instituto CNA, Marina Zimmermann, a proposta é mensurar os efeitos da tecnologia sobre as forrageiras em ambientes com restrições climáticas.
“O bioinsumo avaliado no projeto é o KT2 (Krilltech), uma tecnologia baseada em nanopartículas de carbono aplicada como bioestimulante em plantas forrageiras. O objetivo da pesquisa é avaliar se essa tecnologia pode aumentar a produção de forragem, melhorar o desenvolvimento das plantas e contribuir para sistemas pecuários mais eficientes e sustentáveis nas condições do semiárido do Nordeste e do norte de Minas Gerais”, afirma.
Os testes envolvem espécies estratégicas para a alimentação animal na região, como os capins Massai, Paiaguás e buffel aridus, além das variedades Orelha-de-elefante e Miúda de palma forrageira.
De acordo com a especialista, a escolha do KT2 para esta etapa está relacionada ao potencial da nanotecnologia aplicada à agricultura. “O KT2 foi selecionado por representar uma inovação tecnológica voltada ao uso de nanotecnologia na agricultura, especialmente para melhorar o desempenho de plantas em ambientes com limitações climáticas, como o Semiárido”, explica.
Durante a fase 2.1, são coletados dados agronômicos e produtivos para avaliar o impacto do bioinsumo. Entre os indicadores analisados estão a produção de matéria verde e seca por hectare, o desenvolvimento das plantas, a composição bromatológica — como proteína bruta e fibra —, além da incidência de pragas, doenças e dados climáticos, como a precipitação.
“As avaliações ocorrem ao longo do desenvolvimento das plantas, com coletas intermediárias e análises após aproximadamente 12 meses, permitindo avaliar de forma mais completa o efeito do bioinsumo nas culturas”, detalha Marina.
Embora o projeto siga um protocolo metodológico único em todas as unidades, algumas áreas apresentam particularidades. Em Montes Claros, por exemplo, a unidade acompanha também a fase de implantação da palma forrageira.
“No caso da URT de Montes Claros, ela faz parte das unidades onde a área de palma será implantada dentro do experimento, diferente de outras URTs que já possuem áreas produtivas estabelecidas. Isso significa que, além das avaliações normais do projeto, também será acompanhada a fase de implantação e sobrevivência inicial das plantas”, pontua.
Apesar dessas diferenças, os critérios de coleta e análise permanecem padronizados, o que permite a comparação dos resultados entre as diferentes regiões participantes. A divulgação dos dados consolidados desta fase está prevista para o fim do segundo semestre de 2026.
